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Estudo aponta que quem come mais feijão tem menos chance de desenvolver depressão
09.03.2020

Nutrientes do grão podem proteger área do cérebro acometida pela doença.

Pesquisadores brasileiros apontaram que a inclusão de feijão no consumo diário pode reduzir os riscos de se desenvolver depressão. Segundo a Agência Bori, o estudo foi feito em parceria das Universidades Federais de Uberlândia (UFU), do Rio de Janeiro (UFRJ) e de São Paulo (USP).

Publicado em dezembro de 2019, esse estudo mostrou que aqueles que consomem bebidas adocicadas e substituem refeições por lanches rápidos mais de cinco vezes na mesma semana têm maior probabilidade de adoecer. O consumo do feijão está associado a uma ingestão menor de alimentos processados.

Parte da dieta nacional, o grão possui consideráveis quantidades de fibra e micronutrientes, como ferro, potássio e magnésio, que atuam como antioxidantes e anti-inflamatórios no corpo, produzindo uma espécie de proteção neural do eixo hipotálamo-hipófise-adrenocortical, responsável pelo mecanismo da depressão.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, que se baseia na Pesquisa por Domicílios Brasileiros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os hábitos alimentares de 46,7 mil brasileiros entre 20 e 59 anos foram avaliados por meio da aplicação de um questionário. As informações de consumo regular de alimentos saudáveis, como feijão, frutas e vegetais, sucos naturais e de alimentos não-saudáveis, como bebidas adocicadas, doces e lanches foram cruzadas com resultados de uma outra pesquisa sobre a saúde do paciente, que avalia a existência de sintomas depressivos nos adultos, como fadiga, insônia, falta de interesse em realizar atividades e humor deprimido. Foi criada uma pontuação referente à alimentação saudável de acordo com o tipo de alimento e a frequência de consumo.

COMIDA E SAÚDE MENTAL

Esta é a primeira vez que uma pesquisa nacional aponta uma relação entre a depressão, doença que atinge 7,9% da população brasileira, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, e a alimentação. “A mensagem que podemos transmitir à população é que dietas baseadas em alimentos do padrão alimentar mais tradicional do Brasil, com arroz e feijão, frutas e hortaliças parecem reduzir o risco de depressão”, reforçou a pesquisadora Kamilla Tavares.

Os padrões alimentares mencionados pelo estudo podem ser usados por profissionais de saúde para orientar as pessoas na adoção de hábitos alimentares mais saudáveis. Um dos dos ganhos do estudo, segundo os pesquisadores, é o foco em alimentos e não em nutrientes. Ainda faltam os pesquisadores entenderem melhor como funciona a associação direta entre depressão e hábitos de consumo, interação que parece ser bastante complexa.

Para isso, é preciso formular estudos que acompanhem, ao longo do tempo, a alimentação de pessoas sem depressão. Com relação ao feijão, o grupo apontou que novos estudos precisam identificar se seu efeito de proteção é ou se o alimento é apenas um marcador de uma dieta mais saudável.

Fonte: https://correiodoestado.com.br/cidades/estudo-aponta-que-quem-come-mais-feijao-tem-menos-chance-de-desenvolver-depressao/368613

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