+55 (41) 3107-3344

|

+55 (41) 99137-1831

|

@ibrafe.org

Título da Notícia

Feijão tem nome e sobrenome
28.07.2020

Por Marcelo Eduardo Lüders, Presidente do IBRAFE

Sim, isso mesmo. Eu defendo que o Feijão, e toda planta que demandou investimentos e muito suor de pesquisadores, merece ter sobrenome. Essa ideia pode ser defendida por mais de um aspecto. Vamos lá!
A primeira pode parecer muita pretensão, mas isso poderá acontecer. Por exemplo, o que antigamente era vinho do Sul do Brasil somente passou a agregar um valor maior na medida que, mais do que tomar vinho tinto, o brasileiro mediano passou a entender que havia vinho tinto de distintas uvas. Foi assim, que o consumidor começou a descobrir que gostava mais de vinho tinto Cabernet ou Merlot ou Bonarda e assim por diante. Em cima disso, veio o marketing e a valorização de diversas marcas.
Contenha a gargalhada, porque com Feijão pode ocorrer o mesmo. Pense quantas vezes você já ouviu que alguém comprou o Feijão da marca X ou Y e que o Feijão era carioca, mas que estava diferente, que não era o mesmo que ele havia gostado. Isso ocorre porque existem dezenas de cultivares sendo plantadas hoje no Brasil e todos são “carioca”, na aparência. Na verdade, ele poder ter gostado de um Feijão IAC 1850, ou um IAPAR Sabiá, quem sabe fosse um Feijão-carioca Dama.
Portanto, este seria o sobrenome do Feijão: o nome da cultivar, batizado por seu(s) pesquisador(es).
Dará mais trabalho para a indústria fazer essa distinção, porém, se o consumidor souber a diferença, e saberá, isso poderá ajudar a aumentar o consumo. Não menospreze o impacto que tem para a dona de casa que fez tudo certinho e o Feijão não ficou igual “aquele dia”. E não era culpa dela se não ficou igual. Porém, além desse aspecto, há outro, um segundo aqui considerado, talvez de igual importância ou até maior.
Se a pesquisa privada não entender que há como retornar os investimentos no desenvolvimento de novas cultivares, a pesquisa sofrerá e muito. Hoje os pesquisadores não podem, por uma questão de ética, comentar abertamente a escassez de recursos e o que ela custa para o Brasil. Contudo, poderíamos ter, em nossos dias, Feijões caupis produzindo mais de 40 sacos por hectare. Mas como não há recursos para avanços da pesquisa, colhemos, quando muito, 20 sacos por hectare.
O desânimo em algumas instituições faz ruir a paixão que precisa mover profissionais desta área. Se nas notas fiscais constarem a variedade além do nome genérico, poderá ser alocado recurso para a instituição ou a empresa que investiu no desenvolvimento da cultivar. Isso tem lógica. Se a prática do plantio de grãos e não de sementes demorar a surtir efeito, podemos avançar dessa forma. Cada um planta e replanta quantas vezes quiser o grão, mas deverá recolher um valor para o detentor.
É a esta conclusão que os gestores públicos do Mato Grosso chegaram. Trabalham agora para normatizar este processo. Até que o Brasil utilize mais de 50% da área plantada com sementes certificadas, este será o caminho. O produtor ganhará com isso. Quem planta Feijão Mung hoje, planta grão, pois não existe semente no Brasil. No entanto, em um mundo globalizado, em pouco tempo poderemos ser contestados nas cortes internacionais sobre a origem do nosso material. É da natureza humana enxergar o imediatismo e é da natureza coletiva nortear o que poderá resultar em maior vantagem econômica para o setor.
Certamente diversos pequenos produtores de vinho no passado achavam besteira esse negócio de trabalhar marca de vinho e, ainda por cima, varietais. Queriam tratar de vender em tonéis e, um pouco mais recentemente, no Brasil, em garrafões de 5 litros. Os bilhões de reais que a atividade fatura atualmente são resultado de algumas pessoas com visão de longo prazo enxergaram que, um dia, haveria sommelier de vinhos e que marcas teriam diferenciais incalculáveis para a época.
Pense: quem sabe futuramente teremos uma espécie de sommelier de Feijão, claro que com um outro nome, mas com esse conceito. Você já sentiu o sabor de fungi em algumas variedades de Feijão-preto? Ou ainda o sabor amendoado do Fradinho de Olho Preto e do Pingo de Ouro? Se ainda não descobriu isso, não perca tempo, você poderá ser um especialista, harmonizando receitas de Feijões com frutos do mar, ou com temperos exóticos, por exemplo. Brasileiro apaixonado por Feijão, defenda esta causa. Ela vale a vida.

Notícias
Relacionadas

CURSO DE CLASSIFICAÇÃO DE FEIJÃO HOMOLOGADO PELO MAPA VISANDO O CREDENCIAMENTO DE EMPRESAS QUE COMERCIALIZAM FEIJÃO.

CURSO DE CLASSIFICAÇÃO DE FEIJÃO HOMOLOGADO PELO MAPA VISANDO O CREDENCIAMENTO DE EMPRESAS QUE COMERCIALIZAM FEIJÃO.
26.11.2020

A ITR TREINAMENTO LTDA irá promover um Curso de Capacitação, Habilitação e Atualização de Classificadores de Feijão no período de 04 a...

Ler Mais
Transporte ferroviário promete favorecer o escoamento de Feijão e Pulses

Transporte ferroviário promete favorecer o escoamento de Feijão e Pulses
25.11.2020

A multimodalidade feita pela Brado permite uma série de projetos ao combinar a movimentação de contêineres por ferrovia e rodovia. O contêiner...

Ler Mais