+55 (41) 3107-3344

|

+55 (41) 99137-1831

|

@ibrafe.org

Título da Notícia

PETRÓLEO EM BAIXA, FEIJÃO EM ALTA E A LEI DA PROCURA E DA OFERTA
24.04.2020

Por Dr. Cícero Magalhães

O “ouro negro”, como é denominado o petróleo, foi um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, depois da pandemia do coronavírus.
Quem diria… Petróleo americano abaixo de zero dólar? Situação difícil de acreditar, mas, em tempos de pandemia do covid-19, a informação que circulou na imprensa, e que poderia ser fake news, é verdadeira.
No dia 20 de abril do corrente ano, os mercados globais se depararam com um cenário sem precedentes, em que o barril de petróleo cru americano despencou em “queda livre”, caindo para US$ 37,63.
Qual a explicação para justificar uma queda negativa para um dos bens mais valiosos (o petróleo), considerado vital e de suma importância para rodar a economia moderna?
A lei da oferta e da procura é capaz de explicar. Vejamos:
Em decorrência da paralisação forçada da economia mundial com a pretensão de “frear” a pandemia do coronavírus (reduzindo-se a mobilidade em todo o mundo), a procura por derivados de petróleo caiu consideravelmente, já que as refinarias tiveram que se adequar à realidade, reduzindo a compra de óleo cru que é utilizado para transformar em combustível, resultando, assim, em um aumento no estoque de petróleo ao ponto dos produtores americanos já sinalizarem que, a partir de maio próximo, não terem mais onde estocar.
Portanto, com muita oferta de petróleo e baixíssima procura, o preço do “ouro negro” baixou ao ponto de ficar abaixo de zero, o que é meio surreal, ao ponto da internet não ter perdoado com memes do tipo: “não trate como dólar quem te trata como barril de petróleo” (autor desconhecido).
Embora parecer engraçado, o cenário é preocupante para o mercado, pois, mesmo refletindo positivamente nas bombas dos postos de combustíveis a curto prazo (preços do diesel e gasolina mais em conta), muito preocupa o mercado do agronegócio brasileiro (setor de cereais e leguminosas), já que parte da produção de cana-de-açúcar, soja e milho é utilizada na produção de energia renovável (etanol), exatamente para baratear o combustível quando comparado com os derivados do petróleo, e, acaso este cenário de preços permaneça caindo, ficará praticamente impossível outros combustíveis concorrerem com vantagem com os derivados do petróleo.

Situação completamente diferente vive o mercado do feijão brasileiro

Ao contrário da situação do petróleo, cujo preço vem caindo há semanas, chegando ao ponto de os operadores terem que pagar para encontrar comprador para ficar com o produto físico, o mercado de feijão vive uma situação completamente diferente em nosso país.
No Brasil, como o IBRAFE – Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses – já abordou em outras matérias, a área plantada para a safra 2019/2020 foi reduzida e, para comprometer ainda mais as colheitas, as regiões produtoras sofreram grandes prejuízos com o excesso de CHUVAS nos meses de fevereiro e março de 2020, nas regiões produtoras do Sudeste, do Centro-Oeste e, também, do Nordeste.
Para complicar e frustrar ainda mais a situação das lavouras de feijão nas regiões produtoras do Sul do país, fugindo à lógica natural e às expectativas dos produtores, a SECA castigou suas plantações (estiagem), diminuindo a quantidade de feijões colhidos, o que se agravou há pouco com o fenômeno das GEADAS naquela região.
A redução das áreas plantadas, somada aos prejuízos decorrentes das condições climáticas desfavoráveis foram fatores determinantes para a pouca colheita de feijão neste início de ano, o que, por si só, já pré-anunciava que os preços iriam sofrer altas.
Além deste cenário de perdas nas colheitas, que justifica a alta nos preços do feijão com pouca oferta, não podemos ignorar como fator também responsável pelas altas nos preços a forte demanda atípica ocorrida no mês de março deste ano por alimentos (feijão), provocada pela pandemia do coronavírus, em que os brasileiros não somente anteciparam suas compras, mas compraram além do necessário para estocarem, pois temiam um eventual desabastecimento nos supermercados igual ao ocorrido em maio de 2018, quando deflagrada a greve dos caminhoneiros.
Atualmente observamos no mercado que há pouco feijão estocado e, em tempos de pandemia do coronavírus, em que a OMS – Organização Mundial da Saúde – e os decretos sugerem para a nação manter o isolamento social, a demanda aumentou consideravelmente, pois a dona de casa passou a “queimar” mais as panelas, o que se percebe pelo aumento no consumo de 30% no gás de cozinha, boa parte destinada para se fazer feijão, por se tratar de um alimento prático, rico em ferro, fibras, proteínas e que contribui para o aumento a imunidade, sendo um prato perfeito para ser consumido em tempos de pandemia do covid-19.
Sendo assim, em tempos de pandemia do coronavírus, dois importantíssimos produtos passam por situações opostas na economia, entrando em cena a lei da oferta e da procura para se justificar os preços ora praticados.
De um lado, o petróleo com muita oferta e sem demanda. Do outro, o nosso feijão de cada dia, com pouquíssima oferta e uma grande demanda potencializada pelo próprio isolamento social, pelo auxilio emergencial, por milhões de doações de cestas básicas e por opção do consumidor (quase 80%) em priorizar comprar – em tempos de crise –, apenas o essencial ao invés do supérfluo.
Diferente não poderia ser a conclusão econômica, para o petróleo, com muita oferta para pouca demanda, os preços caíram semanalmente ao ponto de ficar abaixo de zero (negativo), enquanto que para o feijão, com pouquíssima oferta e uma grande demanda, os preços sofreram altas, porém justificadas e dentro da mais pura realidade de mercado.

Notícias
Relacionadas

Proteína vegetal: por que todo mundo deveria comer mais

Proteína vegetal: por que todo mundo deveria comer mais
03.12.2020

Feijão, lentilha, soja... Conheça a família de alimentos que oferta proteína, fibra e outras substâncias bem-vindas à saúde Um interesse crescente na sustentabilidade,...

Ler Mais
Por um Brasil que consuma mais Pulses

Por um Brasil que consuma mais Pulses
02.12.2020

O brasileiro está consumindo mais pão francês do que verduras, hortaliças e Feijão. O estudo que levantou esses dados foi realizado pelo...

Ler Mais