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Boletim Técnico: Alternativas à Dessecação Química do Feijão-Mungo Sendo Usado na Austrália
29.06.2022

Por Fernanda Chemim, Eng. Agrônoma, IBRAFE

Na Austrália, onde se produz o Feijão-mungo da melhor qualidade do mundo, os produtores estão interessados na possibilidade de usar métodos mecânicos para dessecar as culturas antes da colheita, isto devido ao fato do glifosato estar passando por escrutínio atualmente, além do que em culturas como Feijão-mungo, que têm características de maturidade semi-indeterminadas que os fazem querer continuar crescendo, o glifosato aplicado na dosagem do rótulo pode dar resultados mistos. Portanto eles acreditam que pode ser um bom momento para começar a procurar meios alternativos de reduzir o conjunto de sementes de ervas daninhas antes da colheita e evitar possíveis problemas com acesso ao mercado.

De acordo com o eng. agrônomo de extensão norte da WeedSmart, Paul McIntosh, que tem investigado alternativas ao glifosato como dessecante em Feijão-mungo, atualmente, há cinco herbicidas registrados para uso no final da safra em diversas culturas, glifosato e diquat (ou Reglone) são dois deles. Ele diz que embora haja muitos benefícios para a prática do ponto de vista do controle de ervas daninhas, também há forças de mercado em jogo que podem reduzir o uso futuro de herbicidas pré-colheita, portanto pode ser um bom momento para os produtores revisarem algumas das opções sem herbicidas e uma possibilidade é testar o enfaixamento com o uso de uma colheitadeira swath, em culturas de leguminosas como grão de bico, fava e Feijão-mungo. Os primeiros testes em escala comercial sugerem que pode ser muito eficaz e também pode ter o benefício adicional de acelerar a maturidade da colheita, antecipando-a.

Um produtor de Darling Downs experimentou cobrir duas plantações de Feijão-mungo em março e abril de 2020, sendo a primeira de 0,4 ha que foi dessecado com herbicida, e a segunda foi um bloco de 8 ha, de culturas comerciais de Feijão-mungo. Estas duas áreas de teste foram muito bem sucedidos e o produtor foi encorajado pelo rendimento e qualidade dos grãos das áreas enfaixadas. Isso gerou um interesse significativo de outros produtores e agrônomos da região de grãos do norte.

As colheitas foram enfaixadas no padrão de 90 por cento de maturidade fisiológica, o mesmo tempo usado para dessecação química em Feijão-mungo. A colheita foi atrasada no bloco de 0,4 ha devido a duas quedas de chuva, 12 mm e depois 18 mm, o que fez com que as leiras permanecessem na área por 14 dias. A lavoura produziu 1,6 t/ha de grãos de qualidade razoável sem evidência de poeira. A cultura no bloco de 8ha foi mais curta e esparsa do que o pequeno bloco experimental. Quatro dias após o enleiramento deste bloco, ele foi colhido com uma frente de colheitadeira pequena de ervilha, na umidade correta, sugerindo que culturas de baixo rendimento com matéria seca reduzida poderiam ser colhidas mais cedo. A colheita rendeu pouco menos de 1 t/ha de grãos de excelente qualidade, com poucas vagens deixadas no solo.

De acordo com o agrônomo, os custos serão muito semelhantes aos da dessecação química e podem haver benefícios extras à medida que a prática for aperfeiçoada. O enfaixamento e o enleiramento custam cerca de US$ 35 a US$ 40 por ha, semelhante à dessecação química, mas a operação pode levar mais tempo.

O primeiro benefício é evitar a aplicação de produtos químicos pré-colheita, eliminando o potencial de resíduos químicos dessecantes no grão. O segundo grande benefício é que pode ser possível antecipar a colheita. Mesmo que o enfaixamento seja feito quando a colheita estiver 90% fisiologicamente madura, o mesmo que para a dessecação química, a colheita pode ser colhida em poucos dias e pode estar fora da área quase duas semanas. Os primeiros sucessos também foram observados em sorgo, fava e grão de bico.

O fator decisivo é a possibilidade de enfaixamento antes que a colheita atinja 90% de maturidade. Se isso puder ser feito sem comprometer o tamanho e a qualidade do grão, poderá ter benefícios muito significativos para o controle de ervas daninhas. Muitas ervas daninhas na região de cultivo do norte colocam as sementes antes da dessecação tradicional e da época da colheita e, portanto, se a cultura puder ser cortada mais cedo, há uma chance de que menos sementes de ervas daninhas amadureçam.

 

Fontes:

  1. Associação Australiana de Feijão Mungo. Repensando a dessecação do Feijão mungo.

2020. Weed Smart. Que alternativas existem para a dessecação e cobertura de culturas?

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