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Boletim Técnico: Alternativas de Potássio
07.03.2022

Com 96,5% do cloreto de potássio do Brasil sendo importado, atualmente o país se encontra como o segundo maior importador de potássio no mundo. As fontes para isso eram Canadá, Rússia e Belarus, no entanto, com a guerra, as dificuldades de acesso aos fertilizantes por meio desses países se torna mais difícil, pelo preço ou pela dificuldade de carregamento. A Bielorrússia, um dos principais importadores do potássio, está impedida de importar fertilizantes; o prédio do escritório da Yara International em Kiev, na Ucrânia, foi atingido por um míssil durante a invasão do exército russo; e a Ministra Tereza Cristina afirmou que, enquanto houver guerra, é totalmente descartada a possibilidade de receber fertilizantes da Rússia, devido aos altos custos do produto e dos navios para carregar, que não temos como pagar. Para o abastecimento de ureia, o Irã vai substituir o que era provindo dos russos, a princípio, mas para o potássio, enquanto isso, nossa dependência passa a ser do Canadá, que poderá vir com preços elevados também. Já se fala em um aumento acumulado de 200% sobre os fertilizantes.
De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, em seu último estudo, o Brasil apresentou uma ampliação de 70% sobre a potencialidade dos seus depósitos de sais de potássio, que, se entrarem em produção, o impacto para o setor agrícola pode ser imediato, de acordo com o diretor de Geologia e Recursos Minerais do Serviço Geológico do Brasil, Marcio Remédio. No entanto, estas áreas se encontram em áreas como da Bacia do Amazonas, locais que pode haver resistência por parte dos ambientalistas. A Verde Fertilizantes, uma empresa brasileira, já tem ofertado potássio brasileiro que, de acordo com seus argumentos, apresentam até melhores características que os importados em alguns aspectos.
Uma outra alternativa seria adotar manejos semelhantes aos orgânicos. Uma estimativa da EMBRAPA afirma que o Feijão consome menos potássio que a soja, que chega a ter um consumo maior que a do arroz e o Feijão juntos (A Importância Estratégica do Potássio para o Brasil), o que facilita. Outras fontes de potássio poderiam ser cinzas de madeira ou pó de rocha fosfática. Uma pesquisa realizada com a orientação da Embrapa Meio Ambiente mostrou que cinzas de madeira podem ser fontes de K com teores aproximados de 9g/kg de potássio e rocha fosfática 2,9 g/kg (Fontes Alternativas de Potássio em Agricultura Orgânica, Ramalho A. M.), e outros locais chegam a afirmar até 6%.
Mas é preciso buscar mais informações sobre a disponibilidade desses insumos próximo ao local de uso ou a viabilidade da logística a longas distâncias, e também a questão em relação a outros micronutrientes e minerais presentes juntos que, em excesso, poderiam prejudicar a planta. Mas o uso desse insumo seria uma prática sustentável, pois essas rochas são de rejeitos de garimpos, o que soluciona um problema ambiental. Além disso, o beneficiamento é físico, não há processamento químico, e fortaleceria pequenas mineradoras nacionais e geraria empregos ao agregar valor aos produtos deles.

Por Fernanda Chemim

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