+55 (41) 3107-3344

|

+55 (41) 99137-1831

|

@ibrafe.org

Boletim Técnico: Como o Agricultor Pode se Preparar para o Mercado de Crédito de Carbono
13.07.2022

Por: Fernanda Chemim, Eng.ª Agrônoma, IBRAFE

O Mercado de Crédito de Carbono é uma forma de garantir renda para uma comunidade que já preserva, então, por que não passar a ganhar dinheiro com isso?

O que precisamos é buscar formas de facilitar a adaptação do processo produtivo agropecuário frente as oscilações climáticas, crescer a produção e reduzir a emissão de CO2 em resposta a agenda da mudança climática. Isso significa produzir 1 saca de Feijão com menos unidade de carbono emitido, e nós já temos tecnologia para isso, basta colocá-las em prática.

A exigência hoje é ampliar a eficiência de uso dos insumos e recursos ambientais, especialmente, água, solo e biodiversidade. Precisa ser adequado ecossistemicamente, como reciclagem de resíduos, recomposição das reservas hídricas, melhoria da atmosfera (GEE) entre outros.

E como fazemos isso?

  • Entender a realidade atual da disponibilidade e demanda hídrica da sua região ou bacia hidrográfica;
  • Realizar prognóstico de demanda de operação por água x disponibilidade para o período de seca;
  • Atualizar o balanço hídrico do processo produtivo e verificar eventuais desvios para garantir a eficiência no uso da água;
  • Mapeamento da umidade do solo, utilizando o satélite da NASA, que mostra até 1,5m de profundidade. Disponibilizado pela EMBRAPA, é disponibilizado de 3 em 3 dias e ajuda na tomada de decisões como a hora certa de entrada com máquinas na lavoura e previne incêndios.

Se utilizar das tecnologias do Plano ABC+

O qual define uma nova dinâmica de uso da terra para o futuro. São tecnologias preconizadas que envolve uma análise da paisagem, oferece ferramentas técnicas e apoio financeiro. Tais tecnologias são:

  • RPD – Recuperação de pastagens degradadas
  • ILPF – Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta e SAFs Sistemas Agroflorestais
  • SPD – Sistema de Plantio Direto
  • FP – Florestas Comerciais (nativas e exóticas)
  • TR – Tratamento de Resíduos de animais
  • FBN – Fixação Biológica de Nitrogênio
  • TI – Terminação Intensiva, BI – Bioinsumos (além de inoculantes) e SI – Sistemas de Irrigação (incluído no ABC+)

Por que as tecnologias recomendadas pelo ABC+ são positivas para o produtor?

  • Aproveitam melhor a área de produção da propriedade intensificando seu uso de forma sustentável;
  • Cria alternativas de renda para o negócio;
  • Tem suporte das instituições de pesquisa e de assistência técnica e extensão rural;
  • Melhoram as condições para aumentar a infiltração da água no solo;
  • Disponibilidade de linhas de crédito/financiamento – apoio do crédito rural, via Programa ABC.

Vantagens

  • Os benefícios podem vir não só como venda de Créditos de Carbono;

  • Mas em preços pagos no produto que possui uma produção de baixa emissão de carbono também. Por exemplo, em 2021, o Brasil realizou seu primeiro embarque de café carbono neutro, da cooperativa monteCCer, para o Japão, sobre o qual a trading Volcafe (ED&F Man) pagou prêmio equivalente a R$100 por saca de 60kg, valor o dobro do diferencial pago por produtos de qualidade e que tem certificados ambientais e sociais;
  • Também, por meio de acesso a créditos. O plano safra contempla as tecnologias do plano ABC desde 2010, no plano safra de 21/22 foram destinados em torno de R$5,05 bilhões para utilização nessas tecnologias. Além da Inovagro, que é o incentivo na produção de bioinsumos, como onfarm, energias renováveis, painéis solares e etc.; e a Proirriga, que é para sistemas de irrigação, agricultura irrigada;

  • Outra forma é o estimulado pelo estado na forma de redução e benefícios fiscais. Por exemplo, o estado do Mato Grosso que tem isentado, diminuído a taxa do ICMS para quem adota tecnologias mais adequadas de produção.

O trabalho do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sobre o Programa ABC destaca que o custo para o aprendizado sobre as novas tecnologias da ABC pelo produtor rural é mais importante e limitante do que a decisão dele de ir tomar o crédito rural no banco.

É importante também considerar não só o impacto positivo local, mas também os impactos positivos em nível nacional e global das ações implementadas e consolidadas.

Vantagens do Feijão

Uma vez que “A neutralização do carbono é realizada por meio do sequestro de gás carbônico pelas árvores, mas também pela redução de fertilizantes nitrogenados, maior uso de compostos orgânicos, uso de defensivos biológicos, racionalização da irrigação, entre outros processos”, o Feijão tem vantagem quando inserido no escopo produtivo por ser uma leguminosa, portanto, que permite a fixação biológica do nitrogênio, se feita a inoculação, substituindo o uso de fertilizantes nitrogenados, considerado os maiores emissores de CO2 dentro de uma produção. Também por ser considerado um potencial para a recuperação do solo de áreas degradadas, utilizar menos água na produção quando comparado a soja, além de ser passível de cultivo no sistema plantio direto, se encaixar facilmente na rotação de culturas e no sistema ILPF, facilitando assim, a adoção das tecnologias de baixa emissão de CO2 do plano ABC+ e, permitindo mais garantido acesso ao crédito rural destinado para esta finalidade. De acordo com a estimativa do potencial de mitigação de tecnologias do Plano ABC de 2012 a 2023, do Observatório ABC, o processo de produção do Feijão produz muito menos emissões de CO2eq. que a produção das culturas de arroz, milho e cana, o que é outra vantagem, devendo ser mais incentivado.

O Feijão-guandu é uma opção interessante quando pensado também para a alimentação animal, pois serve tanto para consumo humano quando animal, e uma vez que, o correto balanceamento de alimentos na dieta bovina com leguminosas que contenham mais proteína melhora a eficiência da digestão e minimiza as emissões de metano por meio de uma maior eficiência ruminal. O guandu é uma planta rústica, tolerante a secas e solos com baixa fertilidade, sendo interessante para regiões que apresentam déficit hídrico em algum período do ano e servem como adubo verde.

Notícias
Relacionadas

Produtores e empacotadores perderam com Feijão no 1° semestre de 2021

Produtores e empacotadores perderam com Feijão no 1° semestre de 2021
12.08.2022

O aumento no custo de produção do Feijão tem colocado produtores em uma situação complicada. Muitos têm absorvido boa parte do reajuste...

Ler Mais
Obrigatoriedade da Rastreabilidade para os Produtos Vegetais que Possuem Padrão de Classificação

Obrigatoriedade da Rastreabilidade para os Produtos Vegetais que Possuem Padrão de Classificação
10.08.2022

O Decreto n° 6268/2007, que regulamenta a lei de classificação Lei n° 9.972/2000 e dispõe sobre a inspeção vegetal, está em consulta...

Ler Mais