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Boletim Técnico: Estômago, Cérebro, Nação & o Feijão
21.07.2022

Por: Fernanda Chemim, Eng.ª Agrônoma, IBRAFE

Essa semana, uma notícia sobre o mundo chegando aos 8 bilhões de habitantes mencionava que uma nação em que a população com idade para trabalhar ainda está em crescimento, dá uma oportunidade para se beneficiar do chamado “’bônus demográfico’ — quando a população em idade para trabalhar cresce e o número de crianças e idosos que dependem dos trabalhadores ou do Estado para viver é baixo”. Considera-se esse momento crucial para dar um “salto de desenvolvimento”. “Esse é o caso do Brasil — a população em idade ativa está no maior patamar da série histórica e a relação de dependência de crianças e idosos, no menor”, diz a matéria.

Também, os estudiosos defendem que a geografia determina o destino dos povos e que “nenhum país é grande, sem população e sem espaço disponível para sua definição. E o Brasil dispõe de população, em crescimento que não deve ser contido, face à existência, ainda, de um imenso vazio demográfico que precisa ser ocupado, como dispõe de espaço suficiente para nele efetuar a ação civilizadora que leva à potencialidade”.

Este trecho é de um livro intitulado “Brasil – Geopolítica e Destino”, escrito por um general, Meira Mattos, lido avidamente há 30 anos por todos os oficiais que, anualmente, se candidatam aos exames de admissão das Escolas de Estado-Maior. Nele, diz que “O Capitão de 1931 sonhou com um Brasil potência continental. Nós lhe pedimos licença, para sonhar agora com um Brasil potência mundial”.

Acredito que ainda continuamos sonhando, e temos possibilidade e muito potencial que precisa ser enfatizado! No entanto, a ONU alerta que é preciso investir em educação e saúde para otimizar esses ganhos.

Especialistas afirmam que a “importância demográfica afeta a geopolítica, o comércio global, o desenvolvimento tecnológico, o futuro das religiões dominantes no mundo, os padrões de migração e quase todos os aspectos da vida”; que, “sem mais educação, desenvolvimento e, acima de tudo, criação massiva de empregos, o crescimento exponencial da população pode levar a piores níveis de desemprego, pobreza, conflito e radicalização religiosa”.

Assim, o destino de uma nação depende em grande parte do que os líderes fizerem hoje.

Temos um concorrente

Temos todo o potencial para crescer como nação, no entanto, temos um concorrente, a subnutrição que assola principalmente os países da América Latina. Precisamos garantir que o Brasil do futuro esteja bem nutrido e saudável para aproveitar todo esse potencial que já temos de recursos, espaço e população.

Sabemos o quanto a nutrição está relacionada também ao desempenho mental e intelectual, que o estômago é nosso segundo cérebro, e que nele possuem neurônios. E que a alimentação está diretamente associada ao nosso cérebro, humor, raciocínio e demais funções fisiológicas de funcionamento do corpo humano.

Diante disso, uma alimentação equilibrada é essencial, principalmente para as crianças, e isso envolve o fornecimento de adequado de Feijão nas escolas, em quantidade e qualidade. Além de diversidade, para que elas peguem gosto e apreço em comer esse Feijão.

Já é sabido dos benefícios do grão para a nutrição e saúde, alto teor em proteína, ferro, fibras e todos os aminoácidos essenciais para o ser humano.

Feijão de Qualidade nas Escolas e Para os Veganos

“Se uma república é pequena, vive ameaça de destruição por um poder estrangeiro; se é grande, vive ameaçada de desagregação por condições internas”.

Pensando nisso que o IBRAFE tem trabalhado em alcançar um fornecimento de Feijão adequado nas escolas, de qualidade, e que também atenda àqueles que possuem restrições alimentares. Estamos buscando ter acesso ao PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) para garantir que se aumente a oferta de Feijão nas escolas como também a forma como é consumida. Isso levaria ao aumento na demanda de 227 mil t de Feijão por ano, e produtores para fornecer esse Feijão.

No entanto, precisamos unir forças quanto que em cadeia de suprimento na questão de qualidade daquilo que estamos fornecendo. Isso envolve agricultores, sementeiros, engenheiros agrônomos, indústria, governo, universidades, e etc.

Isso também está relacionado a segurança nacional do país, pois dela depende a segurança alimentar, que por sua vez depende do fornecimento adequado do Feijão, na garantia de quantidade, qualidade e acesso.

Financiamentos

“O potencial humano do que dispomos e de que devemos dispor para ocupar os vazios demográficos, participar da operação de utilização das riquezas em potencial…”

Pensando em qualidade, isso envolve não somente o aspecto do grão, mas a qualidade do processo produtivo, respeitando as práticas de manejo sustentáveis. É isso que pensamos quando se diz, “utilização das riquezas em potencial”. E isso inclui explorar as imensas áreas de pastagens degradas que ainda temos com produções de Feijão, irrigação na agricultura, tecnologia nas produções, utilização de bioinsumos, conservação do solo, fixação biológica do nitrogênio, uso equilibrado e adequado dos defensivos agrícolas e fertilizantes, e assim por diante. Que leve à uma redução ou compensação das emissões dos gases de efeito estufa.

Com isso, além de estarmos produzindo um alimento de qualidade, abriremos portas para investimentos estrangeiros ligados a ESG, Mercado de Carbono e Fundos Verdes no Brasil. Graças ao comprovado avanço do Brasil nesse sentido por meio de alguns programas já existentes, investidores já tem aplicado no país e produtores já tem recebido esse investimento para melhorar seus processos produtivos sustentáveis. É uma oportunidade que o setor do Feijão pode e deveria estar usufruindo. E quem sabe, se fizéssemos mais, mais investimentos poderiam ser dados específicos direcionados a essa cultura. Afinal, estamos falando das Pulses.

 

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