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Covid-19 veio para ficar e países terão que se adaptar, diz revista Nature
11.01.2022

Mais variantes preocupantes do novo coronavírus continuarão a surgir, e fica claro que a esperança de que vacinas e infecções gerem imunidade de rebanho praticamente desapareceu, segundo publicação científica

A covid-19 veio para ficar e os países têm que decidir como vão se adaptar a essa realidade. Assim começa o editorial da edição desse domingo (9) da revista científica Nature sobre as consequências da mais nova onda da pandemia provocada pelo coronavírus. Para a publicação, a variante ômicron revela a necessidade de o mundo conviver com uma doença com um conjunto de desafios em constante mudança.

A boa notícia é que a nova variante parece causar doença menos grave em adultos que as anteriores. Mas a velocidade da transmissão tem provocado problemas, como o afastamento de muitos profissionais de saúde e de serviços – por exemplo, os das companhias aéreas – e pressão sobre os sistemas de saúde de todo o mundo. Em alguns países, crianças voltaram ao aprendizado remoto.

E mesmo que uma porcentagem relativamente pequena de infectados precise de hospitalização, as altas taxas de infecção em grandes populações significam que muitas pessoas ainda enfrentarão doenças com risco de vida e incapacidade de longo prazo. Isso é particularmente verdadeiro para os não vacinados, um grupo que inclui uma grande proporção da população mundial, especialmente crianças, lembra a Nature.

“Para aqueles que esperavam que 2021 fosse o ano que colocaria a pandemia no passado, [a ômicron] é um lembrete duro de que a pandemia ainda está muito presente. Em vez de traçar planos para retornar à vida ‘normal’ que conhecíamos antes do coronavírus, 2022 é o ano em que o mundo deve aceitar o fato de que o SARS-CoV-2 está aqui para ficar”, diz o editorial da mais prestigiosa revista científica do mundo.

Os países devem decidir como viverão com a covid-19 e isso não significa ignorá-la. Cada região, aponta a revista, deve descobrir como equilibrar as mortes e incapacidades causadas pelo vírus com os custos financeiros e sociais das medidas usadas para tentar controlá-lo, como a obrigatoriedade de máscaras e medidas de distanciamento social. “Esse equilíbrio varia de um lugar para outro e, com o tempo, à medida que mais terapias e vacinas se tornem disponíveis e que surjam novas variantes”.

O aparecimento da variante ômicron em novembro passado salientou os desafios contínuos da vida com o SARS-CoV-2. Alguns países já estavam enfrentando surtos da variante delta, altamente transmissível, mas vacinas e infecções anteriores conferiam níveis relativamente altos de proteção.

Muitos pesquisadores — e alguns poucos políticos — esperavam que as ondas futuras fossem menos perturbadoras, graças à imunização das populações — por vacina ou infecção — que manteria a circulação viral sob controle e protegeria a maioria das pessoas das manifestações graves da doença, ressalta a Nature.

Mas a nova variante deu um golpe mais rápido e mais sério na imunidade do que o previsto. Agora, está claro que as reinfecções por SARS-CoV-2 são mais comuns e que cepa tem algum escape da imunidade conferida pelas vacinas mais usadas. As doses de reforço aumentam a proteção, mas apenas uma pequena parcela da população mundial recebeu essas doses.

Estudos iniciais sugerem que a ômicron atinge mais o trato respiratório superior e menos os pulmões e que está associada a doenças menos graves. Mas são necessários mais estudos para saber se isso ocorre devido à própria variante ou à imunidade preexistente na população.

Com as taxas de infecção aumentando em todo o mundo e muitos países com uma taxa de vacinação muito baixa, mais variantes preocupantes do SARS-CoV-2 continuarão a surgir, reforça a Nature.

Esperança com imunidade de rebanho “praticamente desapareceu”

Para a publicação, prever o curso das variantes que surgem tem se tornado mais difícil, porque as complexidades da evolução do vírus e a imunidade pré-existente entre a população complicam os modelos que foram usados anteriormente para antecipar o curso da pandemia. Agora, esses modelos precisam levar em consideração os efeitos das vacinas, infecções anteriores, diminuição da imunidade ao longo do tempo, doses de reforço e variantes virais. E à medida que o ano avança, eles também terão que considerar o impacto dos tratamentos antivirais emergentes.

“Mas o que está claro é que a esperança de que vacinas e infecções anteriores possam gerar imunidade de rebanho ao covid-19 – uma possibilidade improvável desde o início – praticamente desapareceu. Acredita-se amplamente que o SARS-CoV-2 se tornará endêmico em vez de extinto, com vacinas fornecendo proteção contra doenças graves e morte, mas não erradicando o vírus”, diz o editorial.

Enquanto isso, novas vacinas – como as baseadas em proteínas, que podem custar menos e ter requisitos de armazenamento menos rigorosos do que as vacinas de mRNA atualmente – devem se tornar mais amplamente disponíveis. Em dezembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou para uso emergencial a tão esperada vacina proteica fabricada pela Novavax nos EUA.

Há também testes sendo feitos com sprays nasais e comprimidos antivirais que podem ser facilmente administrados no início da infecção para reduzir a chance de doenças graves e morte. Tudo isso deve expandir a capacidade dos países de gerenciar novos surtos de coronavírus.

Fonte: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2022/01/10/covid-19-veio-para-ficar-e-paises-terao-que-se-adaptar-diz-revista-nature.ghtml

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