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Custos de produção sobem 40% e apontam para valorização do Feijão
10.08.2021

Produzir Feijão está cada vez mais caro no Brasil. O custo de produção aumentou em todas as regiões produtoras puxado, principalmente, por fertilizantes de agrotóxicos. O Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (IBRAFE) conversou com produtores e agrônomos para entender os reflexos dessa alta, que gira em torno de 30% a 40%, dependendo da região.

A inflação vem se mostrando mais forte nos últimos meses. Praticamente todos os setores da economia estão sofrendo, ou com falta de insumos, ou com a alta exorbitante nos valores que antes eram praticados de forma mais razoável. Com o Feijão não é diferente, esse aumento dos custos de produção é muito nítido no campo.

“Percebe-se que, se deixar para comprar amanhã, o preço já subiu, além da demora na entrega de determinados produtos. Como consequência desse aumento de preços, notamos cada vez mais a necessidade de o agricultor ser mais eficiente na produção e assertivo nas suas compras e nas suas vendas”, afirmou o engenheiro agrônomo Edson Antônio Pina, que atua como consultor técnico no Médio Norte do Mato Grosso.

O engenheiro agrônomo Cristiano de Almeida Dias, que atua em Minas Gerais, afirma que mineiros, goianos e paulistas estão sentindo o aumento dos custos de cerca de 40%, com números mais alarmantes nos fertilizantes, defensivos e no arrendamento.

Para ele, uma solução viável seria, neste momento, evitar investimentos com equipamentos, renegociar arrendamentos e ser o mais técnico possível, sem exageros e gastos desnecessários.

No Paraná, maior estado produtor de Feijão do Brasil, o custo total de produção aumentou em 34%, segundo dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab). O custo por saca, que girava em torno de R$71,00 em maio de 2020, chegou em maio de 2021 a R$94,49.

O engenheiro agrônomo da Emater- PR, Germano Kusdra, destaca que a limitação da produção de sementes nas safras anteriores, somada aos eventos climáticos negativos, ao aumento do dólar e à menor disponibilidade de matéria-prima, fazem parte da combinação que resultou nos custos maiores.

 

Agravantes

Os eventos climáticos são um dos fatores que agravaram bastante a situação da produção de Feijão no país. O frio intenso durante o outono e o início do inverno causaram geadas em boa parte das regiões produtoras e geraram perdas para muitos produtores, chegando a 100% da área plantada em algumas lavouras.

Alguns desses produtores arriscaram o replantio, dobrando os custos com os insumos até chegar à colheita. Apesar desse esforço, muitos terão uma safra mais modesta, com redução considerável na disponibilidade de Feijões para venda.

A instabilidade hídrica, causada pelo fenômeno La Niña também foi outro fator que prejudicou algumas lavouras, aumentando os prejuízos e os custos.

 

Reflexos

Custo maior, menor rentabilidade e maior risco de produção. Esses são os ingredientes para menos oferta e aumento de preço nas gôndolas.

“Como reflexo desse aumento de produção, o que se percebe é que o produtor de Feijão não vai querer vender barato seu produto, ele tem onde armazenar, muitos deles têm soja e milho para ser comercializado ao invés do Feijão e o que temos de perspectiva para o futuro é que as próximas safras que serão plantadas nas regiões do Paraná e Centro-Oeste, terão suas áreas substituídas por culturas mais rentáveis e com custos de produção mais baixos como é o caso do milho e da soja. Essa perspectiva futura está muito clara para o produtor de Feijão, que acredita que daí para frente terá os preços reajustados, buscando a compensação pelos altos custos de produção nessa safra de 2021”, acrescentou Edson Antônio Pina.

Germano Kusdra lembra ainda que esse aumento dos custos poderá ter reflexos na oferta e na qualidade do produto, bem como em maior ou menor área cultivada.

“Como os impactos maiores são causados pelos custos de sementes, fertilizantes e agrotóxicos, que afetam o Feijão e a produção de outras culturas, o reflexo para a segunda safra vai depender de como se comportarão a produção e os preços na primeira safra, também, influenciado pela cotação do dólar e restauração dos processos produtivos de insumos das fábricas”, declarou Kusdra.

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