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Estrela do cardápio nacional, feijão ainda é coadjuvante em carnes à base de vegetais
07.03.2022

Por Fernanda Pressinott — De São Paulo

Com produção anual de 3 milhões de toneladas, uso da leguminosa na fabricação de proteínas alternativas tem crescido no Brasil. Estrela entre as leguminosas brasileiras, o feijão está em oito de cada dez pratos consumidos no país. Mas, apesar de ser um produto popular e de alto poder proteico, o feijão é pouco utilizado nos compostos que formam os produtos “plant-based” fabricados no país. Há razões históricas para isso.

Proteínas alternativas buscam voo fora do “nicho”

Quando as primeiras iniciativas vegetarianas e veganas surgiram no país, na década de 1960, a soja era a alternativa mais barata, e sua consistência permitia o preparo de itens –análogos à carne, como hambúrgueres. De lá para cá, com o crescimento dos flexitarianos, pessoas que não querem abandonar, e sim reduzir, o consumo de proteínas animais, o uso da ervilha nas linhas de produção aumentou.

“Ao paladar de quem não está acostumado, a soja deixa um gosto residual”, explica Alberto Neto, sócio da consultoria AGN, especializada no mercado de proteínas alternativas.

As primeiras iniciativas para a fabricação de produtos à base de plantas que imitam a carne de animais surgiram nos Estados Unidos e Canadá, onde o cultivo de ervilhas e grão-de-bico é abundante. “As empresas de ingredientes para os preparos nasceram lá e pesquisaram e adaptaram os produtos com essas leguminosas. Agora, surgem iniciativas para fazer o mesmo no Brasil”, conta Thomaz Setti, diretor de pesquisa e desenvolvimento da SL Alimentos, companhia paranaense que produz ingredientes para indústrias de proteínas vegetais.

Setti acredita que o feijão tem grande potencial para o Brasil porque o país colhe, em média, 3 milhões de toneladas por ano dessa leguminosa, e a produção nacional das demais é quase zero. “Neste ano, incentivamos agricultores parceiros a plantar feijão em 480 hectares e vamos repetir uma iniciativa do ano passado, de semear uma área com ervilhas”

Segundo o executivo, há um interesse generalizado de indústrias por alternativas que permitam produtos saborosos a custos mais baixos. Afinal, com o câmbio nos patamares atuais, importar ingredientes resulta em produtos cada vez mais caros que a carne.

O crescimento das matérias-primas nacionais para plant-based, porém, não deve ser exponencial. “Vemos como um mercado que precisa de apoio e pesquisa para ter crescimento contínuo”, conta Setti, cuja empresa tem parceria com o IDR Paraná (antigo Iapar) para desenvolver variedades de feijão mais aptas a esse uso.

A R&S Blumos apresentou no início deste ano, na feira Show Rural Coopavel, outra iniciativa de uso de feijão. A Carnevale WUT, que será vendida ao foodservice, leva soja não-transgênica e concentrado de feijão carioca.

Segundo Fernando Santana, engenheiro de alimentos e sócio-fundador da companhia, o diferencial de sua carne vegetal, que será vendida já cozida e congelada, poderá ser o preço: o produto vai custar menos de R$ 30 o quilo. “A proteína se assemelha ao músculo bovino, pronta para o uso do foodservice a um custo muito baixo, principalmente se considerarmos que nem gás para o cozimento será necessário”, diz Santana.

Futuro promissor

O executivo acredita que o Brasil será um dos maiores produtores globais de ingredientes alternativos. “O interesse de países que têm escassez hídrica ou de solo por essa cadeia mais limpa é muito grande”, diz. “Não faz sentido continuarmos levando carne de animais congelada para o outro lado do oceano”.

Andre Menezes, CEO da Next Gen Foods, uma startup sediada em Cingapura que produz uma alternativa ao frango, também declarou este mês que os produtos à base de plantas serão mais baratos que os vindos de animais no curto prazo. “A pecuária é muito mais ineficiente – em termos de conversão de alimentos, taxa de mortalidade, nível de desperdício, etc.- quando comparada a um produto que simplesmente vai do grão ao produto final, sem animais no meio”, diz à Dow Jones Newswires.

Segundo pesquisa da Ipsos, 73% dos chineses, os maiores importadores da carne brasileira, estão abertos à substituição da proteína vegetal pela animal. Em 2020, a consultoria NielsenIQ calculou que as carnes artificiais (ou vegetais) representaram 1,5% do total das vendas no varejo. No ano anterior, a fatia foi de 1,2%.

Fonte: https://valor.globo.com/agronegocios/noticia/2022/03/07/estrela-do-cardapio-nacional-feijao-ainda-e-coadjuvante-em-carnes-a-base-de-vegetais.ghtml

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