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Falta de chuvas limita queda do preço do feijão no país
17.05.2021

Por Fernanda Pressinott, Valor — São Paulo

Problemas climáticos devem diminuir colheita da segunda safra

O preço do feijão ao consumidor subiu 5,27% desde abril do ano passado, segundo o IPCA/IBGE, o que coloca o grão ao lado de arroz e carnes como um dos itens alimentícios que mais têm pesado no orçamento das famílias nos últimos 12 meses. Com a finalização da colheita da segunda e maior safra (o feijão tem três), havia expectativa de que os preços começassem a recuar, mas, até o momento, o movimento não se confirmou.

O motivo é a falta de chuvas. No Sudeste do país, a seca, que já dura dois meses, deve derrubar os resultados da colheita, com produção de 30% a 40% menor que o previsto inicialmente. Com isso, a saca de feijão carioca, que hoje custa entre R$ 280 e R$ 300, deve cair para no máximo, valores entre R$ 250 e R$ 260. Para o consumidor final, a projeção de momento é de preços estáveis, entre R$ 4 e R$ 8 o quilo, a depender da região — e não de declínio, como se esperava para o atual estágio da temporada.

“As notícias sobre as lavouras são preocupantes. No Paraná, o principal Estado produtor no período, mais da metade delas está em situação média ou ruim — Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses (Ibrafe).

Segundo o último boletim do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, até o dia 10 de maio, 28% dos campos com feijão estavam ruins e 44% em situação média, o que já indica uma quebra de 33% na safra. A colheita no Estado, estimada inicialmente em 394 mil toneladas, deve ficar em cerca de 260 mil.

O quadro é igualmente preocupante em Minas Gerais, segundo maior produtor de feijão na segunda safra. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita ser de 148,8 mil toneladas, volume 15% menor que o da temporada passada. “A nossa última boa segunda safra de feijão foi em 2018/19, com 360 mil toneladas. De lá para cá, tivemos ou seca ou excesso de chuvas no período inadequado”, conta Lüders.

Em seu oitavo levantamento sobre a temporada atual, a Conab estima que a produção total de feijão cores (onde está inserido o carioca) será de 534 mil toneladas, 6,2% menos que em 2019/20. A soma das três temporadas de carioca em 2020/21 está prevista em 1,9 milhão de toneladas, 7,1% menos que no ciclo anterior.

O presidente do Ibrafe lembra ainda que o feijão concorre com o milho por área de produção. Com os preços do milho hoje próximos de suas máximas históricas, o plantio da leguminosa fica menos atrativo. “O produtor faz uma conta simples e bem conhecida. Para compensar o plantio de feijão, a saca tem que estar 2,43 vezes mais cara que a de soja ou 4 vezes mais que a de milho”, explica o dirigente. “Para o plantio valer a pena para o produtor, a saca deveria custar hoje mais de R$ 365”.

As importações não são uma alternativa para reduzir o preço do feijão carioca ao consumidor final, já que só o Brasil consome a variedade — e, assim, não há fornecedor externo. A única opção viável para a indústria nacional é importar o feijão preto da Argentina, onde está em fase de colheita, mas ele também enfrenta problemas com a falta de chuvas. A saca de feijão só deve sair do patamar atual em agosto ou setembro, quando começar a colheita de terceira safra, prevë Lüders.

Em anos como 2021, sob influência do fenômeno climático La Niña, a solução é a irrigação, diz o meteorologista, Luiz Renato Lazinski, em nota divulgada pelo Ibrafe. “Sabemos que nem todos têm essa possibilidade, mas a produtividade seria muito maior”, afirma ele. Entre os efeitos do La Niña estão secas no oeste dos Estados Unidos e em partes da América do Sul e excesso de chuvas em outros pontos do planeta.

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