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Fertilizantes – Situação Atual
12.05.2022

Boletim técnico por Fernanda Chemim – Eng. Agrônoma – IBRAFE

Estamos preocupados com a falta ou o atraso na entrega dos insumos, ou a inviabilidade dos preços na próxima safra de verão, com certeza, e não depender em 90% de importação nos fertilizantes se torna uma questão de segurança nacional. Estamos sem Rússia, China e Bielorrússia devido as sanções impostas, três países significativos no fornecimento de fertilizantes para o Brasil, assim estamos falando de 43% de restrição de produto e como sabemos, a Rússia é um dos principais fornecedores. Na opinião do presidente executivo da Andav, Paulo César Tibúrcio, essa situação está extremamente dependente do período que a guerra durará.
De acordo com pesquisa feita pela Stone X, em fevereiro, com relação ao segundo semestre, os produtores haviam comprado apenas 28% dos seus insumos, ou seja, 70% ainda quando estourou a guerra tinha que ser comprado. Nesse mesmo período, no ano passado, os produtores já tinham comprado 50%.
O Head de fertilizantes da América Latina da Nutrien Brasil, Roberto Calos de Oliveira, afirma que o preço dos insumos já estava alto antes, devido à demanda forte por grãos com a quebra posterior, que explodiu agora com a guerra, de modo que fica difícil prever os preços dos insumos. De acordo com ele, o preço tem alterado por hora, o que antes era mensal. Isso tem sido muito impactado pelo preço do gás natural, que impacta a fabricação de matéria-prima para os fertilizantes, uma vez que, para fabricação de amônia, precisa de gás e para a fabricação de ureia precisa de amônia, mais gás natural, assim como para a fabricação do MAP e DAP, os fosfatados e nitrogenados. De USD 230,00/t em 2020, a amônia passou em março deste ano acima de USD 1.300/t. Sem contar o frete marítimo que também compõe o preço dos fertilizantes e durante a pandemia aumentou 472%.
De acordo com o relatório da Rabobank, “a ureia, uma semana antes da invasão na Ucrânia, era vendida em média a USD 555/t, 4 semanas depois, na semana de 17 de março, foi negociada a USD 965/t CFR Brasil, uma alta de quase 75%. No mesmo período, o MAP subiu de USD 880/t para USD 1,225/t, isto é, 39% mais cara. Já o Cloreto de potássio, foi de USD 780/t para USD 1,065/t, uma alta de 37% em 4 semanas.”
O diretor de Fertilizantes da Stone X, Marcelo Castro Ferreira de Melo, aponta que a maior problemática é o potássio, pois mais da metade da line up da Rússia era de potássio, que, no entanto, não foi proibida, mas tem se observado uma diminuição, sem contar a Bielorrússia. Deste modo, calcula-se um desabastecimento de 20-30% para a safra verão, pois não há potássio no mundo e o Canadá já está com sua oferta praticamente comprometida com outros países. Em relação ao fósforo não há como estimar. Já o nitrogênio não vai faltar pensando em ureia, já em nitrato de amônio vai faltar certamente, uma vez que a Rússia é responsável por 100% do fornecimento. Contudo, alguns especialistas ainda estão otimistas com a safra geral do Brasil se não viermos a ter uma quebra climática.
Neste meio tempo, muitas alternativas têm sido buscadas para diminuir essa dependência, desde a lei dos bioinsumos; programa Profert para incentivar a produção de fertilizantes aqui no Brasil; o PNF – Plano Nacional de Fertilizantes; pesquisas realizadas pela EMBRAPA; o estado de Goiás aportou 9,5 milhões de reais para colocar biofábricas no estado inteiro para levar essa tecnologia para os produtores; mais de R$ 3 milhões estão sendo buscados para investir no uso de rochas e remineralizarão junto da EMBRAPA Cerrados, Arroz e Feijão e Territorial, com o portifólio já existente no estado. Mas também precisamos de políticas públicas, para diminuir os impactos até final de 2023, aponta José Mário Schreiner. Muitas dessas alternativas já estavam sendo pensadas muito antes, mas com a guerra, veio a necessidade e a urgência. A mina de potássio em Autazes, que tem se falado atualmente, fica a 8-9 km da fronteira da reserva, e de cordo com o presidente da Andav, se essa mina fosse explorada forneceria insumo até 2089, caso houvesse autorização para isso.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento foi na quinta-feira (05/05) para Jordânia, Egito e Marrocos, liderado pelo ministro Marcos Montes, para tratar sobre o fornecimento de fertilizantes.
Enquanto isso, o que se orienta é para não estocar produto, mas compartilhar e usar de forma racional, para que não falte para ninguém. Além disso, ter planejamento, não arriscar em áreas não plantadas e comprar e trabalhar com quem já conhece e confia, sejam fornecedores ou distribuidores. O que pode ser algo positivo é que as safras do hemisfério norte e sul são em períodos diferentes e nos meses de maio, junho e julho há uma janela em que historicamente somente o Brasil compra, de acordo com o presidente da Andav. Porém outros especialistas têm orientado para não deixar para comprar nesse período.

Confira os dados das importações de fertilizantes abaixo:

Fonte: ComexStat

Em dois meses, janeiro e fevereiro, o preço tinha aumentado 150%, comparado com o ano passado, de fevereiro para março aumentou mais 50%, contabilizando 200%. Vamos acompanhando.

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