+55 (41) 3107-3344

|

+55 (41) 99137-1831

|

@ibrafe.org

Produtores e empacotadores perderam com Feijão no 1° semestre de 2021
12.08.2022

O aumento no custo de produção do Feijão tem colocado produtores em uma situação complicada. Muitos têm absorvido boa parte do reajuste nos valores de produção devido às dificuldades de comercialização. De acordo com apuração do Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (IBRAFE), os produtores seguem resistindo, mas já é possível sentir a falta de Feijões 7/7,5 no mercado.
Um produtor irrigante do estado de Minas Gerais informou que que os custos de produção desse ano, em comparação com o ano passado, subiram de R$ 8.000 para R$ 13.000, o que daria algo ao redor de 62%. Portanto, vender o Feijão-carioca por R$ 300 em Minas Gerais não reflete toda diferença do aumento de custos.
Plantar Feijão está deixando de ser alternativa para alguns e se tornando uma opção menos lucrativa para outros. O produtor Eduardo Gonçalves da Mota explicou que planta “porque o Feijão é uma cultura que se pode plantar em pivôs e é útil na rotação entre soja e campos de sementes de milho. Além disso, o ciclo menor se encaixa bem no manejo das áreas dos pivôs”. No entanto, ele afirma que as últimas safras não foram satisfatórias em relação ao custo de produção e de venda. Segundo Eduardo, os valores de defensivos subiram cerca de 50%, mas o valor repassado na venda não chega a 30%. “O Feijão não assimila altas muito grandes, o que nos limita no repasse dos custos”.
Ele destaca ainda que há manipulação de mercado, com falta de informações para todos os elos da cadeia. “Alguns que estão na ponta não acompanham o que acontece no campo e nem todos no campo tem uma visão ampla do mercado. Na verdade, se não fosse o Clube Premier do IBRAFE estaríamos no escuro”.
Em dólares esse reajuste de custos equivale a 32% de aumento. A média de preço de venda no mês de julho de 2021 foi de US$ 49,83 e, este ano, a média gira em torno de US$ 65,38. O que pesa contra a indiscutível matemática é a economia, o ambiente em geral, para falar em aumento de preço. Há marcas preferindo trabalhar Feijões comerciais a corrigir o preço.

Porteira afora

É importante considerar ainda o aumento dos custos da cadeia produtiva porteira afora. Empacotadores relatam que as embalagens sofreram um aumento considerável e os fretes estão trazendo forte impacto.
Fábio Becker, administrativo do Feijão Caldão, informa que o aumento de custos para os empacotadores gira em torno de 20%. “Os insumos que mais impactaram os custos foram o frete, a embalagem e a mão de obra. Estamos tentando repassar, mas não conseguimos na sua totalidade por causa da forte concorrência no mercado”. Segundo ele, entre as principais dificuldades estão sobra de Feijão-preto depois de uma colheita grande na safrinha do Paraná. “Nesse momento não temos nenhuma estimativa de baixa nos custos de produção. E acredito que num prazo de seis meses deve ter um pequeno aumento no preço do Feijão-preto”.

Os vilões

A inflação é, com toda certeza, uma das vilãs do aumento do custo, mas é possível adicionar outros fatores a esse cenário. O contexto econômico mundial também colabora para a alta nos fertilizantes e demais defensivos, somados à alta no combustível que encarece não só o transporte desses produtos, mas também o frete para escoamento da produção.
A variação climática ocasionou quebra de safra em algumas regiões e a perda de áreas plantadas para as comodities também contribui para a falta de Feijões no mercado e o aumento do preço final, mesmo que esse não reflita em 100% os custos dos produtores.

Notícias
Relacionadas

Entenda por que o arroz com feijão é melhor do que dietas famosas, inclusive para emagrecer

Entenda por que o arroz com feijão é melhor do que dietas famosas, inclusive para emagrecer
23.09.2022

Especialista explica que a dupla, presente nos pratos brasileiros desde a infância, dá saciedade e energias necessárias para as atividades diárias Atualmente, existem...

Ler Mais
É Realmente Importante Fazer a Calagem?

É Realmente Importante Fazer a Calagem?
21.09.2022

Por: Fernanda Chemim, Eng.ª Agrônoma, IBRAFE       O nitrogênio é o maior causador de acidificação dos nossos solos. Depois de um tempo tendo feito...

Ler Mais