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Rússia x Ucrânia – guerra abala a produção mundial de Pulses
06.05.2022

A guerra entre Rússia e Ucrânia pode estar mais perto do que imaginamos. Da inflação ao abastecimento global de alimentos, o conflito continua a prejudicar os já frágeis sistemas agroalimentares que ainda sofrem com a pandemia da covid-19. Os reflexos estão sendo sentidos diretamente nas Pulses, que sofrem com perda de áreas cultivadas, dificuldade na obtenção de produtos agrícolas, insegurança alimentar ou logística.
A escassez prevista da não circulação de trigo ucraniano e outros cereais e possíveis interrupções adicionais no trigo russo provavelmente terão consequências para a área de leguminosas em todo o mundo. Embora o membro do conselho do Global Pulse Confederation (GPC), Cem Bogusoglu, tenha dito que originalmente esperava uma mudança para a produção de leguminosas na Rússia este ano devido aos impostos de exportação de trigo, milho e cevada, a situação alimentar global em constante evolução provavelmente afetará as decisões de plantio da primavera.
Com o prolongamento desse impasse entre os dois países, a população mundial fica sujeita a diminuição da oferta de Pulses. Especialistas trabalham com a hipótese de queda de 50% no fornecimento de Ervilha, por exemplo, já que a Rússia é a maior produtora mundial do grão.
A Stat Publishing prevê que a Rússia produza 2,63 milhões de toneladas de Ervilha em 2022. Contudo, a estimativa é que grande parte dessa produção fique dentro do país, à medida que mais Ervilhas forem usadas na indústria de ração doméstica, já que a importação de farelo de soja do exterior se tornou muito cara devido ao enfraquecimento do rublo.
O diretor administrativo da Seasons Overseas, Sunil Patwari, disse que os preços da Ervilha-amarela extrapolaram os preços do Grão-de-bico na Índia, o que é altamente incomum.
O aumento das plantações de Ervilha na Europa e nos estados bálticos e uma recuperação antecipada na produção canadense devem ajudar a derrubar os preços dessa Pulse. Se haverá Ervilhas suficientes para o mercado de consumo humano, depende de quão competitivas elas estão no mercado de ração em 2022-2023, afirmou o chefe global de leguminosas da Viterra, Will Watchorn.
Outro ponto a se considerar em relação ao mercado de Pulses é o de que a Índia tem plantado menos leguminosas e mais trigo e oleaginosas. A guerra na Ucrânia fez com as taxas de frete de contêineres interrompessem o movimento de queda, devido ao aumento dos preços do petróleo. No entanto, mais navios a granel estão disponíveis porque estão evitando a região do Mar Negro, o que deve ajudar a reduzir as taxas de granel.
Durante uma mesa redonda, a presidente do GPC, Cindy Brown, falou de uma provável diminuição nos hectares de leguminosas nos Estados Unidos em 2022 e um consequente aumento nos preços, dizendo: “Estamos tendo um momento muito sério para convencer os produtores de que deveriam plantar leguminosas, como Feijões. Não podemos competir em preços neste momento com milho, soja ou trigo até onde os produtores podem produzir… Portanto, não veremos muitos hectares de Feijão sendo produzidos.”

Diminuição mundial
Em paralelo aos reflexos causados pela guerra, temos um comportamento inesperado vindo do Canadá e outros países. Mesmo com o aumento no preço de fertilizantes, muito produtores estão reduzindo suas áreas de plantio de Pulses – fixadoras de nitrogênio no solo.
Os produtores indicaram que pretendem plantar 1,43 milhões de hectares de Ervilhas, um declínio de 7% em relação ao ano passado e 12% abaixo da média de cinco anos. O comércio estava prevendo entre 1,60 e 1,74 milhões de hectares. A queda nas intenções de plantio cria um ponto de alerta para alguns analistas.
Insumos
Quando abordamos os insumos, temos novamente a Rússia como uma das principais produtoras globais de fertilizantes. A demanda forte, os embargos e a alta dos custos de produção impulsionaram o preço dos adubos, gerando apreensões de segurança alimentar e inflacionando as matérias-primas agrárias.
Como uma das principais forças no setor, a Rússia responde por 15% do comércio global de fertilizantes e 17% das exportações totais de potassa, segundo informações do Instituto Internacional de Pesquisa de Política Alimentar (IFPRI, na sigla em inglês). Além disso, fornece 20% do gás natural, componente-chave na produção de fertilizantes.
Diversos países da Europa e Ásia Central dependem da Rússia para mais de 50% de seu consumo do produto. O setor agrário da Alemanha obtém do país 30% de seus suprimentos, um volume que os produtores nacionais não estão aptos a fornecer, no curto ou médio prazo, alertam organizações locais.
De acordo com a empresa de consultoria de commodities CRU, com sede no Reino Unido, o custo de várias commodities de nutrientes agrícolas aumentou 30% desde o início de 2022 e atualmente está em um patamar maior do que durante a crise de 2008. Esse aumento deve ser levado em consideração nos custos gerais das colheitas por produtores que já estão lutando com o aumento astronômico no custo do diesel: um combustível que os especialistas preveem que em breve estará extremamente escasso, com estoques nos EUA, Europa e Singapura já relativamente baixos, as importações russas foram proibidas e os preços do petróleo bruto permaneceram acima de US$ 100 por barril.
Consultado, Marcelo Eduardo Lüders, presidente do IBRAFE – Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses – representante do Brasil no GPC, Global Pulse Confederation, afirmou que o setor está apreensivo. “De um lado não teremos Feijões este ano no mesmo volume que o ano passado, para aproveitar as oportunidades abertas para os Feijões brasileiros com a diminuição da oferta mundial das proteínas vindas de outros Pulses. Diante da insegurança gerada nos custos de produção, na taxa de câmbio e no transporte de contêineres, os importadores foram cautelosos e evitaram compromissos em contratos com produtores no momento do plantio. Com isso os produtores, por sua vez, migraram para a segurança das commodities”, afirmou Lüders. O preço do Feijão-carioca disparou nos últimos dias em função da menor área plantada na segunda safra brasileira.

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