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Você pode produzir Feijão para exportar?
15.12.2020

Ora, se no artigo anterior defendi com tanta veemência o abastecimento do mercado interno, qual o motivo do IBRAFE defender com tamanha constância a exportação? Porque ela é a chave para encontrarmos o equilíbrio necessário no abastecimento do Brasil. Lembre que somente o Brasil consome Feijão-carioca. Por mais saboroso, lindo e maravilhoso que ele seja para 60% dos brasileiros, lá fora ele somente encontra compradores se não houver pinto beans. Portanto, ou nós gastamos tempo e muitos dólares em marketing para convencer os indianos, por exemplo, a consumir Feijão-carioca ou buscamos popularizar aqui os Feijões que já produzimos e que temos como exportar, pois há consumo internacional. Aí está a chave do enigma. Podemos gerar excedentes de Feijões-rajados, vermelhos, caupis e pretos, para ambos os mercados, e ainda o mung e o azuki que têm enorme mercado internacional. Hoje alguns desses Feijões são caros para o consumo por girarem devagar e giram devagar por serem caros. Teremos que quebrar este círculo vicioso. O preço dos Feijões exportáveis terá que diminuir para o nosso consumidor. Porém não será o produtor que pagará esta conta. Quem pagará para que este mercado seja desenvolvido serão os consumidores ao redor do mundo. Afinal, a demanda mundial está aumentando com o crescente mercado de proteínas vegetais. Os Estados Unidos têm aumento de consumo per capita desde 2017. A Europa segue o mesmo caminho e, ao mesmo tempo, a China, um dos maiores exportadores mundiais, está estrategicamente diminuindo a produção desta proteína vegetal e produzindo matéria para a produção de ração animal. Não só deixam de atender um crescente mercado mundial, como eles mesmos passam a ser importadores de Pulses, entre eles os Feijões. Outro aspecto interessante é que não há carne suficiente para todos os seres humanos. E não há conversão de recursos naturais mais eficiente do que na produção de Pulses. Além de contribuir para a fixação de nitrogênio no solo. A questão de dar acesso aos nossos consumidores é razoável tomando por base os preços ao redor de US$ 1,20 por quilo do Feijão-carioca e algo ao redor de US$ 1,50/1,60 poderá ser uma paridade defensável. Se chegarmos a aumentar o consumo de exportáveis, obviamente não teremos maiores dificuldades de buscar estímulos para que você produza Feijões.

Se esta estratégia não fosse interessante, os Estados Unidos não teriam sucesso em abastecer seu mercado e também o mundo.

Por onde você pode começar? Faça contato com produtores que têm experiência em outras regiões do Brasil e que estão dispostos a dividir seus conhecimentos. Converse com sementeiros especializados nesses Feijões. Os pesquisadores da EMBRAPA, da TAA e do IAC IDR Paraná têm a maior boa vontade em analisar as possiblidades e as alternativas de cada região do Brasil.

Há consultorias agronômicas nos polos de produção que também têm interesse em ver você alcançando resultados neste mercado.

E os ganhos? Estão cada vez mais populares no Brasil os contratos para produção de Feijões. E sobre isso que vamos considerar no próximo artigo.

 

Por Marcelo Eduardo Lüders – Presidente do IBRAFE

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