Como profissional que acompanha diariamente o pulsar do mercado de Feijão, trago hoje uma análise técnica baseada no cruzamento de dados oficiais da CONAB com a realidade prática do campo e da logística. O cenário desenhado para o primeiro semestre de 2026 exige atenção redobrada e movimentos estratégicos imediatos.
Alerta de Estoque: o Cálculo que Não Fecha
Se você é um profissional do setor, sabe que os números da CONAB são o nosso norte — ainda que sempre demandem ponderações para se aproximarem da realidade. A interpretação, portanto, precisa ser cirúrgica.
No relatório de dezembro, a projeção já era alarmante: chegaríamos ao final do ciclo de 2025 com o menor volume de estoque final da história, estimado em 106,8 mil toneladas.
Para contextualizar: esse volume representa Feijão para apenas 6 dias de consumo nacional. No entanto, há um agravante que o mercado ainda não precificou totalmente. A CONAB baseou seus cálculos em uma exportação de 460 mil toneladas, mas a realidade dos portos mostra que exportamos 523 mil toneladas.
O Ajuste Fino da Realidade
- Estoque projetado (CONAB): 106,8 mil t
- Exportação extra: +63 mil t (não previstas inicialmente)
- Estoque real estimado: 43,8 mil t
Matematicamente, estamos operando com o equivalente a um estoque seco. Na planilha, o déficit já aparece. Na vida real, o preço não reage no estalo de um dedo, mas o momento em que o Feijão “desaparece” das ofertas físicas está se aproximando rapidamente.
Impacto nos Preços: Carioca e Preto
A valorização não será seletiva. Ela atingirá tanto o Feijão-carioca quanto o Feijão-preto. Com base nesses números reais — mais graves do que a previsão oficial — a tendência é que o preço médio de 2026, ao menos até julho, supere de forma consistente os patamares de 2025.
Para o Produtor: Momento de Cautela na Venda
Sabemos que o ponto de equilíbrio e conforto para toda a cadeia (supermercado, empacotador e produtor) gira em torno de R$ 250,00.
Com o Feijão-preto cotado a R$ 150,00, o valor está excessivamente baixo e totalmente descolado da realidade de oferta.
Orientação: se você é produtor, a estratégia agora é segurar. Venda apenas o mínimo do mínimo para cumprir obrigações imediatas. O sacrifício da espera tende a ser recompensado por uma correção severa que virá.
Para o Empacotador: Proteção de Estoque
Não espere o preço subir na prateleira para agir.
- Orientação: alerte o varejo imediatamente sobre o cenário de escassez.
- Ação: busque cobrir sua posição para março e abril utilizando Feijões-pretos da Argentina.
O mercado de Feijão não perdoa a falta de planejamento.
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