Mungo-verde e Mungo-preto: dois mundos diferentes

Por: IBRAFE,

8 de janeiro de 2026

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Temos dois produtos com lógicas bem distintas. Um é volume concentrado (e exige trava). O outro é valor e qualidade (e exige padrão).

Mungo-preto (Black Matpe/Urad): a Índia manda no jogo

A Índia é o centro gravitacional do Urad. O ponto-chave é simples: a produção vem caindo e o país precisa importar para fechar a conta.

Produção recente (Índia)

        2021/22: 2.840.000 t (4,76 milhões ha; 596 kg/ha)

        2022/23: 2.110.000 t (consumo ~2.800.000 t gap grande)

        2023/24 (Kharif): 1.768.000 t 1.515.000 t

        2024/25: números ainda não fechados ao redor 1.209.000 t (mais pressão sobre importações)

Importações confirmam o déficit

        2022/23: cerca de 625.000 t de urad importadas (além de estoques)

        Pulses (total): de 2.450.000 t (2022/23) para >4.500.000 t (2023/24)

        Mantém compromisso de 250.000 t/ano do Mianmar, mas abre espaço para outras origens quando precisa.

Brasil e Índia (Mungo-preto)

Em 2025, o Brasil exportou 230.157,77 t para a Índia, contra 4.407,19 t em 2023 — 52 vezes mais.

O recado direto para você (Clube Premier)

1) Mungo-preto: só com contrato. Sem isso, é loteria.

O Mungo-preto deve ser plantado apenas com contrato fechado, com tudo amarrado:

        volume

        padrão

        janela

        descontos

        logística

Motivo: quem compra de verdade e com consistência é a Índia. Sem contrato, o risco de sobrar produto ou precisar “entregar no susto” com desconto é real.

2) Por que a Índia compra tanto?

Porque é uma proteína barata para um mercado gigantesco. Eles compram volume, mas o preço é sensível e o timing é tudo. Dá oportunidade, mas não perdoa improviso

Mungo-verde: a avenida do prêmio é qualidade (e constância)

O Mungo-verde é outro mundo: tem mais destinos, mas também muito mais concorrência global. Por isso oscila mais de um ano para o outro. O caminho do prêmio existe — mas passa por padrão e repetição.

O que costuma ser reconhecido no preço quando é entregue direito

        grão em torno de 4 mm

        germinação mais alta

        cor intensa e característica

        conformidade (resíduos) + rastreabilidade

Exportações do Brasil (Mungo-verde – diversos países)

        2023: 25.531,98 t

        2024: 16.691,88 t (-34,6%)

        2025: 43.140,95 t (+158,4% vs 2024)

No biênio 2023 2025, alta de 69,0%: sinal claro de que o Mungo-verde é a rota de diversificação fora da Índia, desde que a gente entregue padrão.

Resumo 

        Mungo-preto: é volume e exige operação travada. Plantar sem contrato é pedir para ter dor de cabeça.

        Mungo-verde: é valor. E valor nasce de qualidade, padrão e consistência e acaba preferencialmente sendo importante ter um contrato também.

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