Temos dois produtos com lógicas bem distintas. Um é volume concentrado (e exige trava). O outro é valor e qualidade (e exige padrão).
Mungo-preto (Black Matpe/Urad): a Índia manda no jogo
A Índia é o centro gravitacional do Urad. O ponto-chave é simples: a produção vem caindo e o país precisa importar para fechar a conta.
Produção recente (Índia)
• 2021/22: 2.840.000 t (4,76 milhões ha; 596 kg/ha)
• 2022/23: 2.110.000 t (consumo ~2.800.000 t → gap grande)
• 2023/24 (Kharif): 1.768.000 t → 1.515.000 t
• 2024/25: números ainda não fechados ao redor 1.209.000 t (mais pressão sobre importações)
Importações confirmam o déficit
• 2022/23: cerca de 625.000 t de urad importadas (além de estoques)
• Pulses (total): de 2.450.000 t (2022/23) para >4.500.000 t (2023/24)
• Mantém compromisso de 250.000 t/ano do Mianmar, mas abre espaço para outras origens quando precisa.
Brasil e Índia (Mungo-preto)
Em 2025, o Brasil exportou 230.157,77 t para a Índia, contra 4.407,19 t em 2023 — 52 vezes mais.
O recado direto para você (Clube Premier)
1) Mungo-preto: só com contrato. Sem isso, é loteria.
O Mungo-preto deve ser plantado apenas com contrato fechado, com tudo amarrado:
• volume
• padrão
• janela
• descontos
• logística
Motivo: quem compra de verdade e com consistência é a Índia. Sem contrato, o risco de sobrar produto ou precisar “entregar no susto” com desconto é real.
2) Por que a Índia compra tanto?
Porque é uma proteína barata para um mercado gigantesco. Eles compram volume, mas o preço é sensível e o timing é tudo. Dá oportunidade, mas não perdoa improviso
Mungo-verde: a avenida do prêmio é qualidade (e constância)
O Mungo-verde é outro mundo: tem mais destinos, mas também muito mais concorrência global. Por isso oscila mais de um ano para o outro. O caminho do prêmio existe — mas passa por padrão e repetição.
O que costuma ser reconhecido no preço quando é entregue direito
• grão em torno de 4 mm
• germinação mais alta
• cor intensa e característica
• conformidade (resíduos) + rastreabilidade
Exportações do Brasil (Mungo-verde – diversos países)
• 2023: 25.531,98 t
• 2024: 16.691,88 t (-34,6%)
• 2025: 43.140,95 t (+158,4% vs 2024)
No biênio 2023 → 2025, alta de 69,0%: sinal claro de que o Mungo-verde é a rota de diversificação fora da Índia, desde que a gente entregue padrão.
Resumo
• Mungo-preto: é volume e exige operação travada. Plantar sem contrato é pedir para ter dor de cabeça.
• Mungo-verde: é valor. E valor nasce de qualidade, padrão e consistência e acaba preferencialmente sendo importante ter um contrato também.