Guerra no Irã pode redesenhar comércio global de Pulses no curto prazo

Por: Por The Guardian,

4 de março de 2026

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A escalada do conflito envolvendo o Irã trouxe um novo fator de instabilidade para o comércio internacional de alimentos, incluindo o mercado global de Pulses. Analistas internacionais apontam que, mesmo não sendo o principal polo produtor dessas culturas, o Oriente Médio exerce papel estratégico nas rotas logísticas e nos mercados consumidores, o que pode gerar impactos relevantes no curto e médio prazo.

O ponto mais sensível desse cenário é o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do planeta, que conecta o Golfo Pérsico aos mercados globais. Por essa passagem estreita circula cerca de 20% do petróleo transportado por via marítima no mundo, além de volumes relevantes de gás natural e fertilizantes, tornando a região um gargalo logístico com forte influência sobre custos de transporte e produção agrícola. 

Nos últimos dias, ataques militares e ameaças a navios comerciais levaram armadores, seguradoras e companhias de navegação a suspender ou redirecionar rotas na região, criando um ambiente de risco elevado para o transporte marítimo internacional. 

Pressão logística e aumento de custos no comércio agrícola

 Os efeitos mais imediatos para o setor de alimentos vêm da logística. Com o aumento do risco na região, transportadoras marítimas passaram a evitar a travessia do estreito ou a buscar rotas alternativas, o que pode elevar o tempo e o custo das viagens. Em alguns casos, navios estão sendo desviados para trajetos mais longos, como contornar o continente africano. 

Esse movimento impacta diretamente commodities agrícolas. Relatórios de mercado indicam que cargueiros transportando produtos agrícolas já começaram a evitar a travessia da região após a escalada do conflito, enquanto exportadores analisam portos alternativos para descarregar cargas antes da passagem pelo estreito. 

Além disso, os custos de seguro marítimo em áreas de conflito aumentaram drasticamente. Prêmios de risco de guerra podem saltar de níveis inferiores a 0,5% do valor da carga para até 3%, encarecendo cada viagem em milhões de dólares.

 Para o comércio internacional de pulses, isso significa fretes mais caros, atrasos logísticos e maior volatilidade nos preços internacionais.

Energia mais cara e impacto indireto na produção de alimentos

Outro fator decisivo é o impacto do conflito nos mercados de energia. A região do Golfo concentra importantes produtores globais de petróleo e gás, e a interrupção do fluxo pelo Estreito de Ormuz já provocou aumento nos preços do petróleo e do gás natural. 

O aumento da energia afeta diretamente o setor agrícola por diferentes caminhos:

* encarecimento do combustível utilizado no transporte e na mecanização agrícola;

* aumento do custo de fertilizantes nitrogenados, cuja produção depende fortemente de gás natural;

* elevação do preço final dos alimentos no mercado internacional.

 Analistas também alertam que cerca de um terço do comércio mundial de fertilizantes nitrogenados passa pela região, o que pode pressionar custos de produção agrícola caso as exportações sejam interrompidas.

 Impactos nos principais mercados consumidores de Pulses 

O Oriente Médio e o Sul da Ásia são importantes mercados consumidores de pulses. Países como Índia, Emirados Árabes Unidos, Paquistão e Irã figuram entre os grandes importadores globais de lentilhas, grão-de-bico e Feijões secos.

 Com o conflito, dois efeitos podem surgir:

1. Dificuldades logísticas para entrega de cargas destinadas aos portos da região;

2. Aumento da volatilidade nos preços, caso importadores antecipem compras ou busquem estoques estratégicos.

 Em crises geopolíticas, esses movimentos costumam provocar oscilações bruscas no comércio agrícola internacional, com períodos de forte demanda seguidos de retração.

 Possíveis efeitos para exportadores de pulses

 Para países exportadores — como Canadá, Austrália, Estados Unidos e o próprio Brasil, que vem ampliando sua presença no mercado internacional de Feijões — o cenário pode gerar tanto riscos quanto oportunidades.

 Entre os principais efeitos possíveis estão: 

* aumento do custo logístico para embarques rumo ao Oriente Médio e à Ásia;

* mudanças nas rotas marítimas globais, com prazos maiores de entrega;

* valorização de pulses no mercado internacional caso a oferta seja afetada por custos de produção mais altos;

* redirecionamento de fluxos comerciais para mercados considerados mais seguros do ponto de vista logístico.

 

Um mercado atento à evolução do conflito

 Especialistas destacam que o impacto real dependerá da duração e da intensidade da crise. Se o bloqueio das rotas marítimas persistir, os efeitos poderão se estender por meses e afetar diversas cadeias alimentares globais.

 Conflitos na região já demonstraram no passado que o risco geopolítico no Golfo Pérsico tem capacidade de influenciar simultaneamente energia, fertilizantes, fretes e comércio agrícola, criando um efeito dominó sobre os preços dos alimentos.

 

Para o setor de pulses, que depende de um comércio internacional altamente integrado, o momento exige atenção redobrada de exportadores, importadores e operadores logísticos. A evolução do cenário no Estreito de Ormuz e nas rotas comerciais do Oriente Médio será um dos principais fatores para determinar os rumos do mercado global nas próximas semanas.

 Base de fontes:

[1]: https://www.theguardian.com/world/2026/mar/02/iran-strait-hormuz-oil-global-prices-cost-of-living?utm_source=chatgpt.com "What disrupting the strait of Hormuz could mean for global ..."

[2]:  https://www.argusmedia.com/news-and-insights/latest-market-news/2795068-us-iran-conflict-slows-agricultural-flows-into-gulf?utm_source=chatgpt.com "US-Iran conflict slows agricultural flows into Gulf"

 

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