As interrupções nas rotas marítimas para o Oriente Médio elevaram os custos de frete e reduziram a demanda pelo Feijão-vermelho-claro (LRKB) da Argentina, cujo principal destino são os Emirados Árabes Unidos. Exportadores têm buscado mercados alternativos na Europa e na América Latina, mas afirmam que a retomada das vendas dependerá da normalização da logística e da redução dos custos de transporte.
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Perturbações no Golfo do México remodelam o comércio de Feijão da Argentina
As exportações da LRKB são as mais afetadas, já que os custos de frete paralisam a demanda
ARGENTINA - Os Emirados Árabes Unidos têm sido o principal mercado para o Feijão-vermelho argentino nas últimas safras, mas as interrupções no transporte marítimo e o aumento vertiginoso dos custos de frete paralisaram a demanda da nova temporada e forçaram os exportadores a redirecionar a carga — embora encontrar compradores alternativos tenha se mostrado apenas parte do desafio.
Os Emirados Árabes Unidos têm sido, há muito tempo, um dos destinos mais importantes para as exportações argentinas de Pulses — uma relação construída ao longo de anos de comércio consistente, fortes parcerias comerciais e uma complementaridade entre a oferta argentina e a demanda do Golfo. Mas, desde que a instabilidade regional começou a interromper as rotas marítimas pelo Golfo no final de fevereiro de 2026, essa relação tem sido submetida a uma pressão considerável, forçando os exportadores argentinos a se adaptarem — e a esperarem.
A commodity que sente a pressão mais aguda é o Feijão-vermelho-claro (LRKB). A Argentina produziu cerca de 22.000 toneladas de LRKB em 2025, e os Emirados Árabes Unidos absorveram aproximadamente 7.100 toneladas desse total — cerca de 32% da produção total —, tornando-se o principal destino. No ano anterior, a produção foi significativamente menor, em torno de 9.000 toneladas, mas os Emirados Árabes Unidos permaneceram o principal comprador, absorvendo aproximadamente 2.400 toneladas. A consistência dessa demanda fez dos Emirados Árabes Unidos não apenas um mercado importante, mas também estruturalmente significativo para o LRKB argentino.
Ivan Martin, gerente comercial da ALIMAR SA — produtora, processadora e exportadora de grãos com mais de 30 anos de experiência no setor — confirmou a dimensão da interrupção. "No caso do LRKB, o impacto é maior", afirma. "Os Emirados Árabes Unidos têm sido o principal mercado para o LRKB argentino nas últimas safras — a última foi o principal destino das nossas exportações de LRKB."
Com os embarques diretos para os portos dos Emirados Árabes Unidos efetivamente bloqueados, os exportadores argentinos têm se apoiado em um conjunto de mercados alternativos já estabelecidos. Martin cita a Colômbia, a América Central, Portugal e a França como os principais destinos redirecionados — todos parceiros comerciais conhecidos, embora nenhum com o volume que os Emirados Árabes Unidos absorviam. Por ora, esses mercados estão absorvendo a oferta desviada, mas não são substitutos em escala ou em termos comerciais.
O Feijão-cranberry, outra commodity que a Argentina exporta para os Emirados Árabes Unidos, parece estar enfrentando a crise com mais tranquilidade. A Argentina produziu pouco mais de 51.300 toneladas de Feijão-cranberry em 2025, com aproximadamente 1.100 toneladas exportadas para os Emirados Árabes Unidos — uma parcela relativamente modesta da produção total. A avaliação de Martin é ponderada: "Em relação ao Feijão-cranberry, temos muitas alternativas, então acho que não está sendo um problema. Claro, é melhor para nós termos todos os nossos mercados abertos." A abrangência da base de exportação de Feijão-cranberry parece ter proporcionado uma margem de segurança que os exportadores de LRKB não possuem.
Uma rota através de Khorfakkan
Uma adaptação notável que surgiu da interrupção foi o uso do porto de Khorfakkan — localizado na costa leste dos Emirados Árabes Unidos, de frente para o Golfo de Omã em vez do Golfo Pérsico — como ponto de entrada alternativo para as remessas. O porto fica fora dos corredores de navegação mais diretamente afetados, tornando-se uma solução viável, embora dispendiosa.
Martin confirma que Khorfakkan se tornou uma alternativa reconhecida para o comércio. As indicações de frete apontavam para uma ampla variação: entre US$ 5.000 e US$ 9.000 por contêiner completo, dependendo da companhia de navegação, um valor que inclui sobretaxas por risco de guerra. "Khorfakkan se tornou uma alternativa — mais cara, é claro", diz Martin.
Essa faixa de custo representa um ágio substancial em relação aos níveis normais de frete e explica, em parte, por que a demanda para a nova temporada estagnou, mesmo entre os compradores dispostos a receber a carga. Como observa Martin, a interrupção não afetou apenas a capacidade de envio — ela efetivamente congelou as compras futuras. "O problema é que a demanda para a nova temporada foi bloqueada devido ao conflito", afirma ele.
Uma segunda alternativa — encaminhar os embarques pelo porto de Salalah, em Omã, para posterior entrega por via terrestre nos Emirados Árabes Unidos — tem sido discutida em círculos comerciais, embora Martin indique que não recebeu relatos confirmados de que essa rota esteja sendo usada ativamente por exportadores argentinos.
Olhando para o futuro
A questão mais ampla agora é como seria um retorno à normalidade e com que rapidez os fluxos comerciais poderiam se recuperar quando o conflito diminuir. Martin expressa um otimismo cauteloso. "Espero que tenhamos uma resolução positiva para o conflito e estou confiante de que isso nos permitirá retomar nossas operações no Oriente Médio", afirma. "Particularmente nos Emirados Árabes Unidos, temos uma parceria sólida e eficaz com muitas empresas."
Mas ele também tem uma visão realista das condições necessárias para uma recuperação genuína. "Para alcançar isso, é realmente importante ver o que acontecerá com os custos de frete — isso será crucial, já que hoje é quase impossível com tarifas extremamente altas."
Os sinais diplomáticos atuais sugerem que o conflito pode estar caminhando para uma resolução, embora os prazos permaneçam incertos. Para os exportadores argentinos, a estrutura comercial — os relacionamentos com os compradores, a adequação do produto, a logística estabelecida — permanece intacta. O que o mercado aguarda é a evolução dos custos de frete.
Até então, os Emirados Árabes Unidos permanecem numa espécie de estado de suspensão: continuam sendo o destino mais importante para os argentinos, tanto historicamente quanto por preferência, mas o mercado só pode observá-los à distância.
Reportagens originais publicadas por Pulse Pod