No dia 10 de fevereiro, data em que se celebra o Dia Mundial do Feijão, o estande da Embrapa no Show Rural Coopavel 2026 virou ponto de encontro de pesquisadores, produtores, sementeiros e lideranças do agro para um anúncio estratégico: o lançamento de quatro novas cultivares de Feijão, duas do grupo carioca e duas do grupo preto, desenvolvidas com foco em produtividade, sanidade e segurança agronômica.
A cerimônia reuniu representantes do governo estadual e federal, técnicos, parceiros privados e instituições de pesquisa, evidenciando a força da articulação entre ciência e campo. Além das cultivares, a equipe apresentou uma publicação técnica sobre tecnologia de aplicação de defensivos, produzida em parceria com universidade pública, com recomendações práticas para reduzir a deriva, impactos ambientais e aumentar a eficiência das aplicações.
Mais do que um lançamento, o momento simbolizou como a pesquisa pública segue sendo decisiva para manter o feijão competitivo, rentável e sustentável no Brasil.
Quatro novas opções para diferentes realidades de cultivo
No grupo carioca, destaque para a BRS CL 424, desenvolvida com foco em alta produtividade e robustez de planta. O material apresenta arquitetura mais ereta, melhor adaptação à colheita mecanizada e resistência intermediária a importantes doenças da cultura, formando um pacote sanitário que ajuda a reduzir riscos e custos com defensivos.
A BRS FC 429 também chega com elevado potencial produtivo, mas chama atenção pelo rendimento de peneira e pelo escurecimento lento dos grãos. Essa característica preserva a coloração típica do carioca por mais tempo, agregando valor comercial e oferecendo maior flexibilidade ao produtor na hora da venda.
Entre os Feijões-pretos, a BRS FP 327 aposta na precocidade. O ciclo mais curto permite antecipar a colheita e diminuir a exposição a veranicos e chuvas na maturação. O material apresenta alto rendimento de peneira, com grande percentual de grãos graúdos, além de resistência intermediária a doenças como murcha de fusário e antracnose, problemas recorrentes especialmente na Região Sul.
Já a BRS FP 426 combina produtividade elevada com excelente padrão de grãos. Com sementes mais pesadas e rendimento superior, superou cultivares consagradas do mercado e ainda incorporou resistência simultânea à murcha de fusário e à antracnose, corrigindo vulnerabilidades observadas em materiais anteriores. É uma cultivar pensada para entregar estabilidade e desempenho mesmo em ambientes mais desafiadores.
Pesquisa que chega ao campo
Os lançamentos resultam de um trabalho conjunto entre Embrapa e empresas sementeiras, reforçando o modelo de inovação colaborativa. Essa ponte entre laboratório e lavoura é o que garante que novas tecnologias não fiquem apenas no papel, mas cheguem de fato ao produtor, aumentando eficiência, reduzindo perdas e ampliando a rentabilidade.
No Paraná, onde o Feijão tem forte peso econômico e social, cultivares mais resistentes e produtivas significam maior segurança para quem planta e oferta mais estável para quem consome.
Um Dia Mundial do Feijão com significado especial
Apresentar essas cultivares justamente no Dia Mundial do Feijão deu um tom simbólico ao evento. O grão, base da alimentação brasileira, é peça-chave na segurança alimentar, na geração de renda no campo e na oferta de proteína de qualidade a preços acessíveis.
Para o setor, cada nova cultivar representa mais do que um avanço genético. É uma ferramenta concreta para enfrentar o clima irregular, doenças, custos crescentes e exigências de mercado.
O papel do IBRAFE
O lançamento também dialoga diretamente com o trabalho que o Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (IBRAFE) vem desenvolvendo ao longo dos anos em defesa da cadeia das pulses no Brasil. A entidade atua no apoio à pesquisa, na articulação institucional, na promoção do consumo e na valorização de tecnologias que elevem a produtividade e a qualidade do Feijão brasileiro.
Ao aproximar produtores, pesquisadores, sementeiros e políticas públicas, o Instituto ajuda a criar o ambiente necessário para que inovações como essas se consolidem no mercado. Novas cultivares mais produtivas e resistentes significam mais competitividade para o Brasil e mais estabilidade para toda a cadeia.
Em um dia dedicado ao Feijão, a mensagem que ficou no estande foi clara: quando ciência, parceria e campo caminham juntos, o prato do brasileiro e o futuro do produtor saem ganhando.