O setor brasileiro de gergelim entra em 2026 sob um cenário de ajuste relevante, influenciado por fatores climáticos, comerciais e estratégicos que afetaram diretamente a decisão de plantio por parte dos produtores.
Ao longo do ciclo 2025/26, foi observada irregularidade no regime de chuvas nas principais regiões produtoras do Cerrado, especialmente em Mato Grosso, Goiás e Tocantins. O atraso no início das precipitações comprometeu a definição da janela ideal de plantio, reduzindo a previsibilidade da safra e elevando o risco agronômico em diversas áreas.
Esse cenário resultou em encurtamento da janela de semeadura do gergelim, cultura que depende de bom posicionamento dentro do calendário agrícola, especialmente em sucessão a outras culturas.
Além do fator climático, destacam-se elementos estruturais e comerciais que desestimularam o plantio em 2026:
· baixa oferta de contratos futuros por empresas exportadoras
· preços considerados pouco atrativos ao longo de 2025, em um contexto de margens apertadas;
· competição com culturas substitutas, como milho, sorgo, milheto, capim e alguns tipos de Feijão, incluindo o Feijão-mungo-preto, a depender da região.
Embora os preços do gergelim não tenham sido, isoladamente, o único fator determinante, a percepção de baixa atratividade comercial ao longo de 2025 contribuiu para reduzir o estímulo ao plantio.
Outro ponto relevante é que, com a rentabilidade pressionada em praticamente todas as culturas, muitos produtores passaram a priorizar alternativas que ofereçam maior segurança comercial e melhor contribuição agronômica, especialmente no que diz respeito à proteção do solo, formação de palhada e manejo do sistema produtivo.
Diante desse conjunto de fatores, o mercado sinaliza uma tendência de redução expressiva da área plantada com gergelim no Brasil em 2026. As estimativas ainda variam entre os agentes do setor, mas já há percepção de retração relevante, com referências de possível redução entre 30% e 45% na produção, ainda sem consolidação nacional definitiva.
Também já há relatos de redução de área em regiões específicas, como no Sul do Pará, reforçando a percepção de ajuste produtivo em diferentes polos.
Para o mercado internacional, esse cenário aponta para uma possível oferta mais restrita de gergelim brasileiro ao longo de 2026, com impactos potenciais sobre disponibilidade, ritmo de comercialização e formação de preços.
O IBRAFE seguirá acompanhando de perto a evolução da safra e compartilhando atualizações ao mercado à medida que novas informações forem consolidadas.