O consumo de feijão tem apresentado queda no Brasil, mesmo em um cenário global de incentivo crescente às proteínas de origem vegetal. De acordo com o Instituto Brasileiro do Feijão (IBRAFE), o consumo per capita do grão diminuiu de forma significativa nas últimas décadas, reflexo, em parte, da busca por refeições mais práticas e convenientes no cotidiano.
Ao mesmo tempo, é importante estimular o consumo de outras leguminosas, como ervilha, lentilha e grão-de-bico. Além de contribuírem para a ingestão adequada de proteínas, esses alimentos ampliam o aporte de nutrientes e proporcionam mais variedade e novos sabores à alimentação da população.
Mas onde entra o nosso tradicional feijão nessa história? Presente em diferentes regiões do país, ele aparece em diversas versões — como o carioca, o preto, o feijão-de-corda e o branco — compondo a base da dieta brasileira.
Dois pratos emblemáticos da nossa gastronomia têm o grão como protagonista. A feijoada, de influência portuguesa, consolidou-se como um dos maiores símbolos da culinária nacional, tendo o feijão preto como ingrediente central. O alimento também marcou a cultura popular ao dar nome à novela Feijão Maravilha, exibida pela Rede Globo em 1979, cuja música-tema, “O Preto que Satisfaz”, de Gonzaguinha, interpretada por As Frenéticas, eternizou o famoso verso: “dez entre dez brasileiros preferem feijão…”.
Outro destaque é o feijão tropeiro, prato típico de Minas Gerais, cujo nome remete aos tropeiros que transportavam mercadorias entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste durante o período colonial. Recentemente, a receita ganhou projeção internacional ao conquistar o 5º lugar no ranking da plataforma TasteAtlas na categoria de melhores pratos vegetais, ao lado de especialidades italianas, portuguesas e indianas.
Diante de tanta tradição, valor nutricional e reconhecimento cultural, fica a pergunta: não está na hora de valorizarmos mais o feijão em nossa alimentação diária?
Por: Warley Marcos Nascimento - Pesquisador da Embrapa Hortaliças
