O Paquistão enfrenta um cenário crescente de vulnerabilidade na produção de Pulses, ampliando sua dependência de importações para atender à demanda interna. Apesar de seu papel estratégico na alimentação de milhões de pessoas, o setor ocupa apenas 5% da área cultivada no país e segue marcado por baixa produtividade e entraves estruturais.
Alimentos essenciais como Lentilhas, Grão-de-bico e Feijões continuam sendo fontes acessíveis de proteína para a população, especialmente de baixa renda. Ainda assim, a produção nacional não acompanha o consumo, refletindo falhas tecnológicas, uso de sementes de baixa qualidade e limitações na cadeia produtiva.
O tema ganhou destaque em seminário sobre cadeias de valor de Pulses no país, que apontou um distanciamento entre o potencial agrícola e a realidade do setor. A produtividade média nacional gira em torno de 553 quilos por hectare, mas produtores mais tecnificados já alcançam até 1.500 quilos por hectare — evidência clara de que o problema vai além das condições climáticas e está ligado à tecnologia e gestão.
Outro fator crítico é a migração dos agricultores para culturas mais rentáveis, impulsionada pela baixa remuneração das Pulses e pela instabilidade do mercado. Doenças, riscos climáticos e a predominância do cultivo em áreas de sequeiro agravam ainda mais a situação.
A fragilidade também se estende ao pós-colheita. Estruturas inadequadas de processamento e falhas no controle de qualidade reduzem o valor do produto antes mesmo de chegar ao mercado, comprometendo a competitividade.
Especialistas destacam ainda a desconexão entre pesquisa e políticas públicas. Embora existam iniciativas locais com avanços técnicos, os resultados raramente são escalados para políticas nacionais, limitando o impacto no campo.
Para reverter esse cenário, o consenso é claro: será necessário fortalecer toda a cadeia de valor, com investimentos em pesquisa, melhoria de insumos, expansão da assistência técnica e políticas de incentivo que tornem o cultivo de Pulses economicamente viável.
A recuperação do setor passa também por uma mudança estratégica — deixar de tratar as Pulses como culturas marginais e incorporá-las a áreas produtivas com suporte agronômico adequado. Essa transição pode não apenas reduzir a dependência externa, mas também reforçar a segurança alimentar do país.
Reportagem original publicada por Business Recorder
Disponível em https://www.brecorder.com/news/40412608