Vamos começar analisando o momento. O começo desta semana no mercado de Feijão, tanto o levantamento que fazemos junto a produtores e comerciantes do Clube Premier quanto os dados captados pelo CEPEA, mostrou que não houve um movimento único, mas sim um mercado seletivo.
No Feijão-carioca de melhor qualidade, o Noroeste de Minas começou a semana reagindo, com a saca subindo para R$ 347,00, enquanto a Metade Sul do Paraná ficou em R$ 323,75, praticamente sem avanço. Isso indica que, neste início de semana, o comprador continuou mais disposto a pagar pela mercadoria superior em Minas, mas sem um impulso generalizado em todas as praças.
Nos padrões 8 e 8,5, o comportamento foi de firmeza, mas ainda contido. O Noroeste de Minas ficou ao redor de R$ 300,57 por saca, quase estável; o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba avançaram para R$ 291,50; e a Metade Sul do Paraná foi para R$ 301,11. Em outras palavras, o mercado abriu a semana sustentando preços, mas sem sinal claro de corrida compradora. Há sustentação, porém ainda não se vê um ambiente de negócios agressivos.
No Feijão-preto, o Paraná segue com outro ritmo. A Metade Sul recuou levemente para R$ 184,13 por saca, enquanto Curitiba teve pequena alta para R$ 197,02. O retrato é de um mercado mais pressionado e sem a mesma força vista no Carioca. Isso reforça a leitura de que, neste início de semana, o Carioca continua premiando qualidade, enquanto o Preto ainda trabalha com menos tração.
O ponto mais importante está justamente na diferença entre o Feijão comum e o Feijão de melhor nota. Em Minas, esse prêmio aumentou, mostrando que o mercado abriu a semana pagando mais pela qualidade superior. No Paraná, essa diferença ficou praticamente estável. Na prática, Minas começou a semana valorizando mais claramente os melhores lotes, enquanto no Paraná o cenário foi mais de sustentação do que de valorização.
Ainda teremos o final do mês de março, todo o mês de abril e, possivelmente, boa parte do mês de maio para que tenhamos entrada da segunda safra.
No entanto, se seu Feijão-carioca tem comprador na porta, considere diminuir o tamanho do seu estoque. Se o volume for considerável, busque dividir o lote em 3 partes, vendendo a primeira parte na próxima onda de compradores, a segunda parte na segunda metade de abril e, se gosta de fortes emoções, deixe algo para vender em maio.
Mas lembre-se de que o bilhete da loteria já entregou o prêmio para quem colheu no ano passado na terceira safra.
No caso do Feijão-preto, a leitura está muito difícil de ser feita, mas continua sem sentido a diferença entre o Feijão-carioca e o Preto. A Argentina, sim, tem estoque, mas, se perceber reação aqui, irá puxar o preço, pois, no nível atual, não é interessante para eles também.
