A pressão se concentra em agosto

Por: IBRAFE,

31 de julho de 2026

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O fluxo de oferta e demanda indica maior pressão sobre os preços em agosto, recuperação a partir da segunda metade de setembro e firmeza crescente no último trimestre.

 

Tempo de leitura: 3 minutos

 

Durante julho, o avanço da colheita começou a exercer pressão sobre os preços do Feijão-carioca. Nos principais polos produtores, a expectativa é que agosto concentre a maior disponibilidade de produto do segundo semestre.

Com base no fluxo estimado de estoques, produção e consumo apresentado no gráfico abaixo, o simulador digital de cenários que estamos desenvolvendo aponta para uma faixa de preços entre R$ 260 e R$ 270 por saca durante agosto. A projeção considera os preços praticados ao longo do ano e a relação matemática entre a oferta disponível e a demanda. No entanto, é importante destacar que o mercado não é regido apenas pela matemática.

Há diversos fatores capazes de levar os preços abaixo dessa faixa, entre eles a concentração da colheita, a necessidade de caixa dos produtores, a falta de espaço para armazenagem e o comportamento dos compradores, que podem, por determinados períodos, deixar de comprar e apenas observar o comportamento dos vendedores.

Um desses fatores seria a presença de Feijões comerciais com problemas de cor, peneira ou maior percentual de defeitos. Uma oferta maior desses lotes reduziria a pressão de compra sobre o Feijão extra e poderia puxar as referências para baixo. Entretanto, como estamos tratando principalmente de uma safra produzida sob irrigação, a possibilidade de um grande volume de Feijões com problemas de qualidade é considerada muito pequena.

Tomando como referência os números da CONAB, que frequentemente apresentam uma estimativa superior ao volume efetivamente percebido pelo mercado, a disponibilidade projetada para agosto equivaleria a pouco mais de três meses de demanda. (Veja o gráfico.)

Em setembro, ainda haverá uma oferta importante. No entanto, o mercado deverá começar a perceber que o volume disponível estará diminuindo rapidamente. Como os preços normalmente antecipam o aperto no abastecimento, a recuperação poderá começar já na segunda metade do mês.

O simulador digital de cenários, ainda em fase de testes, aponta a seguinte trajetória:

  • Agosto: ao redor de R$ 260;
  • Setembro: próximo de R$ 285;
  • Outubro: ao redor de R$ 300;
  • Novembro: próximo de R$ 320;
  • Dezembro: ao redor de R$ 330.

Esses valores não representam uma garantia, muito menos uma alta em linha reta. Os preços reagem com oscilações ao longo do período. O comportamento do mercado dependerá do ritmo efetivo da colheita, da qualidade dos lotes, da necessidade de caixa dos produtores, do volume armazenado e das condições da primeira safra de 2027.

Nas projeções apresentadas no gráfico para novembro e dezembro, já foi considerado o início da colheita da primeira safra de 2027.

O dado mais estratégico está na velocidade de redução da cobertura da demanda. Em outubro, a disponibilidade estimada cairia para aproximadamente 2,2 meses de consumo. Em novembro, recuaria para 1,3 mês. Em dezembro, chegaria praticamente ao limite, com 107,7 mil toneladas disponíveis diante de uma demanda projetada de 100 mil toneladas.

Isso muda a leitura do mercado.

Durante agosto, muitos produtores poderão ser obrigados a vender para fazer caixa ou liberar espaço, justamente no período de maior concentração da oferta. A partir da segunda metade de setembro, o risco poderá começar a migrar para o comprador, que terá menos segurança para trabalhar com estoques reduzidos ou permanecer descoberto.

Para o produtor, agosto exigirá atenção especial à capacidade de armazenagem e ao custo real da câmara fria. Guardar o produto somente fará sentido quando a valorização esperada superar as despesas financeiras, os custos de armazenagem, as perdas de qualidade e os custos de movimentação.

Para o comprador, os preços mais baixos de agosto poderão representar uma janela para formação de posições, principalmente se o fluxo confirmar que a terceira safra não será suficiente para atravessar, com tranquilidade, até a entrada relevante da primeira safra de 2027.

A colheita ainda poderá pressionar o mercado nas próximas semanas. Mas, olhando além do período de maior oferta, o fluxo não aponta abundância até dezembro. Aponta uma oferta concentrada agora e uma disponibilidade progressivamente mais ajustada nos meses seguintes.

Observação

Os boletins do IBRAFE têm caráter orientativo e não devem ser utilizados como única base para decisões de compra ou venda. É fundamental acompanhar diariamente o grupo de WhatsApp, pois o mercado é dinâmico, e as correções de rota podem ocorrer rapidamente.

O IBRAFE começou a utilizar, de forma cuidadosa, projeções elaboradas por um simulador digital de cenários. Combinadas com a observação diária do mercado, essas projeções vêm alcançando, até o momento, uma taxa de acerto estimada em aproximadamente 80%.

 

 

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