Dependendo de como forem encaminhadas as coisas hoje, se o risco de greve dos caminhoneiros persistir, haverá uma corrida aos supermercados em breve. Mas, se os caminhões param, o prato feito do brasileiro sente antes mesmo de faltar comida. Esse é o ponto central.
Uma possível greve de caminhoneiros não mexe só com o transporte. Antes de sair da fazenda, as máquinas são movidas a diesel. Ela mexe com o custo de levar comida até a mesa e com a confiança de quem compra e de quem vende.
No começo, o problema nem sempre aparece como falta de produto. Muitas vezes, ele aparece primeiro como frete mais caro, entrega atrasada e varejo mais cauteloso. Supermercado evita promoção, atacado compra com mais cuidado e todo mundo começa a trabalhar com mais medo de errar. O resultado disso é simples: a comida vai ficando mais cara, e não é o produtor que embolsa a diferença.
No prato feito, os primeiros a sentir costumam ser os produtos mais perecíveis, como verduras, legumes e carnes. Esses dependem de reposição rápida. Arroz e Feijão podem até aguentar um pouco mais, porque têm mais capacidade de armazenamento. Mas isso não quer dizer que escapem. Quando o frete sobe, mais cedo ou mais tarde essa conta chega também para eles.
E aqui está um ponto importante para nós: em momentos de aperto, o Feijão ganha ainda mais importância. Quando o orçamento da família fica pressionado, é ele que ajuda a manter a nutrição do prato feito. O prato pode até perder um pouco de variedade, a proteína pode apertar, mas o Arroz com Feijão continua sendo a base que sustenta muita gente no Brasil.
Por isso, uma possível greve dos caminhoneiros não deve ser vista apenas como um risco de desabastecimento. O risco maior é o prato feito ficar mais caro, mais apertado e menos completo. Não é que a comida suma de uma vez. Ela vai pesando mais no bolso e encolhendo no dia a dia.
Se esse cenário avançar, o impacto será menor no susto inicial e maior no desgaste das próximas semanas. E é justamente nessas horas que fica claro o valor estratégico do Feijão. Ele não é apenas mais um item da cesta. Ele é parte da segurança alimentar do brasileiro.
