O mercado do Feijão teve uma semana bastante interessante. A volta dos empacotadores foi acelerada pelo feriado da próxima semana. Quem estava esperando mais alguns dias percebeu que calendário não negocia. Ou compra antes, ou corre depois.
Chamou atenção a presença de compradores do Nordeste indo até Mato Grosso em busca de produto guardado em câmaras frias. Isso diz muito. Quando o comprador cruza o país atrás de Feijão, não é porque a oferta está folgada. É porque o mercado físico começa a mostrar que a conversa de abundância perdeu força.
No Paraná, a conta também ficou mais objetiva. Produtores olham para o custo apontado pelo DERAL e fazem a matemática: se o custo fica próximo de R$ 188 por saca, com produtividade de 34 sacas por hectare, o Feijão-carioca vendido na casa dos R$ 300 deixa uma margem bastante interessante. O DERAL informa que seus custos são calculados trimestralmente, com base em preços pagos por insumos e fatores de produção no Paraná, usados para estimar os sistemas predominantes de produção.
O CEPEA também ajuda a confirmar essa leitura. Nesta quinta-feira, 16 de abril, o Feijão-carioca nota 9 ou superior apareceu a R$ 345/sc no Noroeste de Minas, R$ 323,19 em Curitiba e R$ 307,50 na Metade Sul do Paraná. Nas notas 8 e 8,5, a Metade Sul do Paraná ficou em R$ 290,25 e o Noroeste de Minas em R$ 299,97. Esses valores para 8/8,5 indicam que o Feijão nota 9 não tem oferta, e o jeito é se contentar com o melhor disponível dentro desse parâmetro de cor.
O ponto central é este: com boa parte do Feijão-carioca novo sendo de escurecimento lento, o produtor terá mais compradores dispostos a comprar no Paraná.
A semana mostrou menos discurso e mais movimento. Empacotador voltando, Nordeste buscando no Mato Grosso, Paraná fazendo conta e CEPEA sustentando referências próximas dos R$ 300. Para quem acompanha por fora, parece apenas mais uma oscilação. Para quem está no Clube Premier, é leitura de margem, fluxo e timing de venda.
