Feijão-carioca volta a testar preço acima
O mercado de Feijão-carioca teve uma semana de movimentação bem mais forte do que vinha aparecendo nas últimas rodadas. Não é euforia generalizada, mas também já não cabe a leitura de mercado parado. Corretores e compradores em diferentes regiões confirmaram negócios acima dos patamares praticados nas últimas semanas.
Em Minas Gerais, a referência no físico passou por Feijão nota 8 a R$ 300, nota 8,5 entre R$ 320 e R$ 330, e uma única carreta de nota 9 negociada a R$ 345. O dado conversa diretamente com o CEPEA desta quarta-feira, 15 de abril, que apontou o Feijão-carioca nota 9 ou superior no Noroeste de Minas a R$ 343,00/sc, estável no dia. No padrão nota 8 e 8,5, o CEPEA mostrou Noroeste de Minas a R$ 294,93/sc, alta diária de 0,48%.
A diferença entre indicador e mercado físico, neste momento, precisa ser lida com cuidado. O Feijão nota 9 praticamente não aparece. Quando aparece, é uma carreta, um lote específico, uma oportunidade pontual. O comprador pagaria mais se houvesse volume de Feijão-carioca nota 9 ou melhor disponível. O problema não é falta de vontade de comprar. É falta de produto superior.
No Mato Grosso, a oferta diminuiu muito. Ontem, mais uma vez, quem dominou a cena foi o Nordeste, com várias cargas sendo embarcadas para compradores daquela região. Foram confirmados negócios com Feijões comerciais, 10 de umidade e fundo 8 de defeitos, a R$ 275. Também houve lote melhor, nota 8,5, a R$ 300. O CEPEA marcou Sorriso a R$ 278,63/sc para Feijão-carioca nota 8 e 8,5, alta diária de 0,49%, o que reforça que a sustentação já aparece também fora de Minas.
A postura do produtor segue sendo a peça central. Quem tem estoque vende um lote e, no seguinte, já pede no mínimo R$ 10 a mais. Depois espera. Às vezes dá certo. Às vezes o comprador desaparece por alguns dias. Mas, quando o estoque regional encurta, o tempo começa a trabalhar de outro jeito.
No varejo, a venda segue dentro do normal. Isso é importante. Não há sinal de sumiço do consumo. O que existe é uma cadeia tentando reorganizar preço, margem e reposição em um ambiente onde o grão disponível não tem a qualidade que muitos gostariam, mas é o que existe para comprar.
No Paraná, a leitura exige ainda mais atenção. Um comprador experiente lembrou que o Feijão que começa a aparecer lentamente depende, em boa parte, de passar por secador. Ou seja, não é entrada limpa, rápida e abundante de produto pronto para resolver o abastecimento. É uma chegada gradual, com custo, risco de qualidade e necessidade de beneficiamento.
O CEPEA também mostrou o Feijão-carioca nota 8 e 8,5 na Metade Sul do Paraná a R$ 289,17/sc, alta de 1,71%, e Curitiba a R$ 298,40/sc, alta de 1,85%. Já no Feijão-preto, Curitiba ficou em R$ 168,97/sc, queda de 0,93%, enquanto a Metade Sul do Paraná marcou R$ 165,81/sc, leve alta de 0,27%.
A conclusão para o Premier é simples: o mercado não está escolhendo muito. Está comprando o que encontra. A diferença é que o que encontra não resolve plenamente a necessidade de qualidade. O Feijão-carioca bom ficou raro, o nota 9 virou peça de colecionador e o produtor percebeu isso antes de muita gente.
