No Feijão-carioca, o movimento continua sendo de firmeza e protagonismo nas altas. De acordo com o CEPEA, a saca do padrão extra (nota 9) trabalha em patamares próximos de R$ 340,00, sustentada pela escassez de grão novo de alta qualidade.
Neste momento, para quem tem produto, a orientação segue clara: vender sem ceder abaixo das referências atuais. No Noroeste de Minas, conforme o PNF que vocês acompanham, os melhores lotes chegam a até R$ 350,00/sc.
A quantidade de negócios, no entanto, ainda é limitada. Isso não significa fraqueza de mercado. Ao contrário: empacotadores e comerciantes estão concentrados em repassar os reajustes para o varejo, especialmente os supermercados.
Por isso, a recomendação permanece a mesma: quem compra precisa se posicionar o mais rápido possível. Se, para o produtor, não é hora de vender com pressa, para quem está na outra ponta também não é hora de esperar para repor.
Vale reforçar um ponto importante: não é São Paulo que determina o preço do Feijão. O preço é construído por quem compra e vende nas origens, Brasil afora, onde o produto realmente existe ou falta.
Já no Feijão-preto, o cenário ainda é de maior equilíbrio, até aqui. Segundo dados do DERAL/SEAB-PR, os preços no atacado paranaense orbitam entre R$ 170,00 e R$ 180,00/sc. A CONAB confirma o avanço da colheita da primeira safra nacional, mas a redução de 16% na intenção de plantio da segunda safra no Paraná mantém um viés de cautela.
E aqui cabe atenção: não se enganem com a aparente calmaria. No Feijão-preto, as novas entradas relevantes só devem aparecer no fim de maio — e concentradas no Paraná.
Até lá, o mercado segue sensível. Se o clima realmente confirmar um cenário desfavorável, com risco associado a El Niño, a leitura muda rapidamente. Em outras palavras: no Feijão-preto, neste momento, estoque pode valer mais do que conforto financeiro de curto prazo.
