Parada para tomar fôlego  

Por: IBRAFE,

3 de março de 2026

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Fevereiro foi um mês de forte valorização no mercado de Feijão, com o Feijão-carioca puxando o movimento e ultrapassando os R$ 300, historicamente um valor bastante alto para o Feijão-carioca.

 No começo do mês, pelos registros de 02/02, regiões como Campos Gerais, no Paraná, indicavam o padrão nota 9/9,5 ao redor de R$ 290,00, enquanto o padrão nota 8,5 girava próximo de R$ 260,00. No Noroeste de Minas Gerais, o comportamento foi na mesma direção: oferta curta de padrão bom e disputa pelos lotes nota 9 ou acima.

 No fechamento do mês, a fotografia mudou de forma clara. Dados do CEPEA e os últimos registros do PNF (24/02 a 27/02) mostram o Feijão-carioca de qualidade superior (nota 9) na casa de R$ 340,00 a R$ 350,00. Isso representa alta de 29,3% no mês, um salto que não é só subida, é reposicionamento. E aqui vale um detalhe que o Premier sente na prática: quando Campos Gerais e Noroeste de Minas apertam ao mesmo tempo, o mercado não encontra válvula de alívio fácil.

 Já o Feijão-preto se manteve mais estável, porém firme. Em 02/02, negócios no Sul do Paraná apareciam a R$ 200,00. O mês encerrou com referências entre R$ 190,00 e R$ 205,00 no Sul do Paraná. Essa estabilidade, em meio à explosão do carioca, transformou o Feijão-preto em uma alternativa estratégica para indústrias de cestas básicas e linhas mais sensíveis a preço, e isso deverá se intensificar nos próximos dias.

 O diagnóstico do momento explica a calmaria atual. A subida foi rápida e cumpriu um papel: reequilibrar a oferta e a demanda. Quem precisava cobrir giro ou mesmo estocar comprou durante a escalada. No fim do mês, travou-se o interesse, e hoje muitos compradores só aceitam fechar negócio se o valor estiver abaixo das referências.

 Isso cria uma demanda represada, que tende a reaparecer quando o produto de prateleira for consumido. E o ponto sensível permanece igual no Paraná e no Noroeste de Minas: estoques curtos, cobrindo poucos dias de consumo, deixam o mercado vulnerável a qualquer retorno de reposição.

 Para o produtor: fevereiro mostrou força e mostrou limite de oferta. Sem necessidade, vender abaixo das referências agora é devolver mercado de graça. Esperar a volta dos compradores é a melhor estratégia, se for possível.

 Para o comerciante: a janela é curta. Tão logo seja possível antecipar cobertura neste período, pode ser o diferencial entre manter margem ou correr atrás do mercado quando ele destravar.

 

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