Novo patamar para o Carioca e o que significa esquecerem o seguro rural?

Por: IBRAFE,

15 de julho de 2025

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Parece que, finalmente, os mercados de Feijão encontram um patamar mínimo. O Feijão-carioca recém-colhido no noroeste de Minas Gerais teve seu preço firme ontem, com dificuldade para encontrar vendedores por R$ 210/215. Produtores que colhem neste momento relatam produtividades abaixo da média, cerca de 20% menores. Com compradores mantendo o ritmo, ainda que não tão forte, o cenário é de sustentação para os preços.

No Vale do Araguaia, a situação se repete: há compradores, mas produtores "seguram o pé", elevando a pedida para R$ 210. Até o início da noite de ontem, não houve registro de negócios diretos com produtores.

O Alerta Ignorado no Plano Safra: O Corte no Seguro Rural

Enquanto o novo Plano Safra é divulgado com uma série de promessas, um detalhe crucial tem passado despercebido, mas pode impactar diretamente o campo e a mesa do brasileiro: o corte no orçamento federal para o seguro rural. O que parece ser uma decisão burocrática de Brasília representa um risco real para quem planta e, consequentemente, para o abastecimento de alimentos.

O seguro rural não é um luxo, mas uma ferramenta essencial. Em um país de dimensões continentais e com um clima cada vez mais imprevisível, a proteção contra perdas é o que encoraja o investimento, o financiamento e a expansão da produção. Sem ele, o produtor se sente inseguro, tende a reduzir a área plantada e a investir menos em tecnologia.

As consequências não ficam restritas ao campo. Menor produção significa preços mais altos para o consumidor final e menos alimentos frescos circulando nos mercados.

O Feijão Como Termômetro: Sensibilidade e Risco

O Feijão é um exemplo claro dessa vulnerabilidade. Quem vive da cultura sabe o quanto ela é sensível: uma chuva fora de época ou uma estiagem prolongada podem derrubar produtividade e qualidade. Sem um seguro acessível, muitos produtores – especialmente os pequenos e médios – repensam o plantio ou, simplesmente, desistem.

O corte no orçamento federal torna o programa de seguro rural menor, mais caro ou até mesmo inacessível para uma parcela dos agricultores. Em vez de incentivar a adoção de tecnologia e a proteção contra riscos climáticos, a medida empurra o produtor para a incerteza.

Discurso Vazio Sem Ferramentas Básicas

Há uma contradição evidente: muito se fala em um agronegócio sustentável, resiliente e moderno. No entanto, sem um seguro rural robusto, esse discurso soa vazio. É como pedir ao produtor que faça milagres sem oferecer as ferramentas mínimas.

O seguro rural não é um benefício para o "agronegócio rico", mas uma política pública fundamental para garantir o abastecimento, a segurança alimentar e preços justos. Proteger quem produz é, no fim das contas, proteger quem come.

Se queremos garantir que o Feijão e os alimentos de verdade cheguem à mesa do brasileiro, precisamos assegurar a quem planta a proteção necessária. O seguro rural não pode ser apenas mais uma despesa a ser cortada quando o orçamento aperta em Brasília; ele precisa ser uma prioridade de Estado.

 

 

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