No Noroeste de Minas, o Feijão-carioca nota 9 ou superior ainda mostrou sustentação, com alta de 1,49% entre 27 de fevereiro e 6 de março, e, no fechamento de 13 de março, a referência estava em R$ 340,00/sc. Já no Feijão-carioca notas 8 e 8,5, Minas sentiu mais pressão, encerrando em R$ 302,88/sc, segundo o CEPEA/CNA.
Entre fevereiro e março, a Conab reduziu a estimativa da produção total de Feijão no Brasil de 2,966 para 2,916 milhões de toneladas. O corte foi de 50 mil toneladas, concentrado principalmente na 2ª safra, que perdeu 36,9 mil toneladas, enquanto a 1ª safra recuou 13,2 mil toneladas e a 3ª safra permaneceu estável. No recorte por tipo, o maior ajuste negativo veio no Feijão-preto, seguido pelo caupi.
Mas o ponto central não está apenas na revisão da Conab. Está no fato de que, para muitos no mercado, esses números ainda parecem otimistas demais. E essa conta sequer considera a possibilidade de que a 2ª safra de Feijão-carioca acabe ficando abaixo do que hoje está projetado. Se isso ocorrer, os atuais 2,916 milhões de toneladas deixam rapidamente de parecer confortáveis e passam a exigir ainda mais cautela de quem precisa comprar e ainda mais atenção de quem precisa decidir o momento de vender.
Vale fazer um exercício simples. Se o Brasil produzir 2,916 milhões de toneladas, exportar 350 mil, importar 80 mil e ainda preservar um estoque de passagem de 159,3 mil toneladas, o volume restante para o mercado interno cairia para 2,4868 milhões de toneladas. Na base de 213,5 milhões de habitantes, isso significa algo próximo de 11,65 quilos por pessoa ao ano. E essa conta ainda não desconta semente, beneficiamento e outras perdas operacionais. Ou seja: a folga é menor do que muitos imaginam.
Ao mesmo tempo, há outro risco que precisa entrar no radar desde já. Os preços do Feijão-carioca que poderão ser praticados de agora em diante podem funcionar como um superestímulo ao plantio desse Feijão nas áreas irrigadas.
E aqui mora um ponto estratégico importante: se esse movimento ganhar força, o produtor precisará estar preparado para carregar estoque por mais tempo. Preço alto hoje pode estimular oferta mais adiante. E, quando a oferta irrigada responder, quem não tiver fôlego financeiro, estrutura de armazenagem e disciplina comercial poderá ser forçado a vender no momento errado.
Em resumo, a conta do Feijão continua apertada no curto prazo, mas o mercado já precisa começar a olhar também para o efeito que os preços atuais podem produzir sobre o plantio irrigado à frente. Mercado justo hoje não garante mercado justo amanhã. Quem enxergar apenas a escassez do presente, sem se preparar para a resposta da oferta, corre o risco de acertar na leitura e errar na estratégia.
