O que diz a IA sobre o abastecimento de Feijão-carioca em 2026?

Por: IBRAFE,

27 de abril de 2026

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A tabela mostra com bastante clareza por que o Feijão trabalhou em patamar elevado neste primeiro semestre. Entre janeiro e abril de 2026, o estoque projetado ficou bem abaixo do mesmo período de 2025. Em março, por exemplo, a diferença passa de 70 mil toneladas. Não é pouca coisa. Com menos Feijão-carioca  disponível e compradores precisando recompor posições, o preço reagiu.

O ponto mais importante agora não está no que aconteceu. Está no que este preço provoca.

Preço acima de R$ 300 por saca no primeiro semestre é convite aberto para aumentar o plantio da terceira safra. O produtor faz conta rápido e o preço atrai até  quem normalmente não se envolve com a cultura. Quando o mercado paga bem, a intenção de plantio cresce, principalmente em áreas irrigadas e em regiões onde o Feijão entra como alternativa de boa margem. Apesar de previsão de El Nino para o Feijão após a colheita da segunda safra de 2026 ele influenciará somente o plantio da primeira safra de 2027.

O gráfico mostra essa virada. Até abril, o estoque de 2026 ficou mais curto que o de 2025. A partir de junho, a curva muda. O estoque projetado passa a superar o ano anterior e atinge o pico em agosto, justamente no período em que a terceira safra começa a pesar mais sobre o mercado.

Por isso, o cenário mais provável não é de sustentação automática dos preços acima de R$ 300 até outubro. Esse patamar pode até aparecer em lotes especiais, qualidade superior ou momentos pontuais de disputa, mas a média tende a corrigir.

Se a segunda safra realmente mantiver os números estimados pela CONAB a projeção da média possível de preços feita por IA (temos alimentado com todos os dados possíveis e temos testado para projeções)  é algo abaixo dos R$ 290 em junho, R$ 260  em julho, já em agosto testará maior baixa se o histórico for mantido, com estabilidade em setembro e em outubro. Não é queda por fraqueza estrutural do consumo. É ajuste de oferta.

A leitura para o produtor é simples: o primeiro semestre premiou quem tinha Feijão. O segundo semestre deve testar quem plantou mais Feijão.  Os produtores mais experientes sabem que o  melhor momento de valorização importante acontecerá no início do ano que vem. A questão é quem terá folego para esperar com SELIC ainda alta e inflação nos insumos e credit0 bancário restrito.

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