Parou tudo de novo

Por: IBRAFE,

6 de maio de 2026

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Depois da corrida em busca de Feijão-carioca para cobrir os pedidos mais imediatos, ontem foi dia de silêncio. De um lado, pouquíssimas ofertas e a disposição de seguir pedindo mais pelo pouco que tem. Do outro, um comprador cauteloso que ainda espera da safra do Paraná o milagre de abastecer o varejo. O mercado de Feijão-preto com vendedores pedindo de tudo, até R$ 200, porém a qualidade é o problema.

 O consumidor está mais estratégico

 O relatório de uma loja da região de Bauru traz uma leitura importante para o mercado de alimentos básicos. A quantidade total vendida cresceu 6,70% em relação ao ano anterior, o faturamento avançou 7,91% e a margem média subiu de 25,02% para 26,59%.

 O ponto central é que esse crescimento em volume vendido está muito acima do crescimento populacional da região. Bauru e seu entorno não cresceram nessa proporção. Portanto, o aumento não pode ser explicado apenas por mais gente consumindo. Ele indica mudança de comportamento: o consumidor está comprando mais vezes no mês, em menores volumes, conforme o dinheiro entra e a necessidade aparece.

 Na região, o emprego existe, mas boa parte da renda é de baixa remuneração. Isso cria um consumidor com pouca folga no orçamento. Ele compara preços, evita compras grandes quando não tem capital disponível e muitas vezes prefere a loja próxima ao atacarejo para não gastar com deslocamento, combustível e tempo.

 O atacarejo continua sendo a régua de preço. Mas ele não captura toda a compra. Se o supermercado de proximidade mantém preço aceitável em itens essenciais, o consumidor resolve a compra ali mesmo. Feijão, arroz, óleo, açúcar e café são produtos que formam imagem de preço e confiança.

 O Feijão é o dado mais relevante. A quantidade vendida cresceu 2,59%, enquanto o faturamento subiu 24,90%. Ou seja, o preço médio avançou, mas o produto continuou girando. O consumidor não abandona facilmente o Feijão. Ele troca marca, compra menor, compra mais vezes ou espera promoção, mas continua levando porque o Feijão segue no centro do prato básico.

 Ao mesmo tempo, a margem do Feijão caiu de 9,07% para 6,78%. Isso mostra que o varejo não conseguiu simplesmente repassar preço e preservar margem. O Feijão virou item de combate contra o atacarejo, usado para manter fluxo de loja.

 O arroz mostra pressão ainda maior: queda de 2,78% em quantidade, recuo de 21,71% em faturamento e margem negativa. Pode ser guerra comercial, promoção agressiva ou uso do arroz como chamariz. Óleo e café perderam volume, mas ganharam margem, sinal de consumidor mais seletivo. Já a farinha de trigo cresceu em quantidade, o que pode indicar mais preparo de alimentos em casa.

 A conclusão é direta: o consumidor não desapareceu. Ele ficou mais estratégico.

 Ele compra mais vezes, em menor volume, compara mais e usa o atacarejo como referência, mas nem sempre como destino. Para o Feijão, isso confirma duas coisas: o produto segue essencial, mas existe limite de capacidade de pagamento.

 Há consumo, mas há tensão. Há giro, mas com sensibilidade extrema a preço. Há emprego, mas pouca sobra no orçamento. E, nesse cenário, o Feijão continua sendo um dos principais termômetros do poder de compra do brasileiro.

 

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