Carioca dispara e Feijão-preto é opção

Por: IBRAFE,

29 de abril de 2026

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Ainda não se configura como mercado consolidado, porém os sinais merecem atenção.

Foram reportados ontem negócios em Minas Gerais alcançando até R$ 400 por saca, envolvendo duas carretas. Isto ainda não é mercado e pode ser destinado a plantio. Trata-se de um volume ainda insuficiente para estabelecer uma referência firme de preço, mas suficientemente relevante para indicar a direção que o mercado começa a testar.

 No Paraná, a impossibilidade momentânea de avanço da colheita em função das chuvas contribuiu para a valorização dos lotes disponíveis. Negócios com Feijão recém-colhido, antes das precipitações, foram registrados por até R$ 370 por saca. Esse movimento ocorreu de forma mais acelerada do que o esperado, o que reforça a leitura de que tais patamares ainda não representam um novo nível consolidado, mas sim um objetivo que o mercado passa a perseguir.

 Do lado da demanda, o quadro permanece consistente. Empacotadores, em sua maioria, operam com estoques reduzidos, enquanto o varejo mantém o ritmo típico de reposição para o período. Esse equilíbrio entre demanda ativa e oferta limitada sustenta a pressão observada nos preços.

 Importante destacar que esse cenário já vinha sendo desenhado desde o início do ano, com a redução de área no Paraná elevando a dependência do abastecimento proveniente de Minas Gerais. No entanto, essa expectativa começa a ser revista diante das perdas já confirmadas na segunda safra mineira. A irregularidade das chuvas, especialmente no Sul de Minas, tem provocado impactos severos nas lavouras, com relatos técnicos indicando a possibilidade de uma quebra expressiva de produção.

Diante desse contexto, permanece estratégico que os produtores aproveitem os momentos de valorização para realizar vendas, sobretudo caso as chuvas não se regularizem em Minas Gerais. A gestão de risco, neste momento, passa a ser determinante, considerando que o mercado já começa a precificar não apenas a oferta atual, mas, principalmente, as incertezas quanto ao volume disponível nas próximas semanas.

No caso do Feijão-preto, o cenário se torna ainda mais claro. Com a pressão sobre o Feijão-carioca e a limitação de oferta em diferentes origens, o Feijão-preto passa a ser uma alternativa natural de substituição. Nesse ambiente, valores abaixo de R$ 200 por saca para mercadorias de boa qualidade, que já não encontravam fundamento anteriormente, tornam-se ainda menos justificáveis. A tendência, portanto, é de que o produtor avalie com cautela e aguarde melhores patamares de preço antes de avançar em novas negociações.

 

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