O varejo começou abril mostrando um movimento que merece atenção, porque ele muda a forma como o mercado de Feijão precisa ser interpretado.
À primeira vista, os números parecem positivos. As vendas gerais cresceram, o faturamento avançou e o fluxo nas lojas continua saudável. Mas quando abrimos a categoria de Feijão, o cenário fica mais complexo.
O volume vendido praticamente não mudou. Cresceu pouco mais de 2%. Já o faturamento subiu forte, acima de 25%. Isso indicaria um mercado firme, com repasse de preço funcionando. Só que a margem conta outra história. Ela despencou mais de 50%.
Na prática, o varejo está vendendo Feijão mais caro, mas ganhando menos com isso.
O melhor exemplo disso é o Feijão carioca 1kg, que continua sendo a principal referência do consumo. O volume ficou estável, o faturamento subiu quase 30%, mas a margem caiu mais de 70%. Ou seja, virou produto de giro, não de resultado.
Ao mesmo tempo, começam a aparecer sinais claros de mudança no comportamento do consumidor. As embalagens maiores, como o carioca 2kg, cresceram mais de 20% em volume e mais de 50% em faturamento, com ganho relevante de margem. Isso mostra uma migração para compras mais racionais, buscando economia no pacote maior.
Já o Feijão preto teve queda tanto em volume quanto em faturamento, indicando perda de espaço nesse momento mais sensível ao preço.
Quando juntamos isso com o início de abril, entra ainda um fator adicional. O calendário, especialmente com a Páscoa, muda o foco do consumo dentro do supermercado. O Feijão não deixa de vender, mas perde protagonismo nas ações comerciais. Isso pode dar a impressão de desaceleração, quando na verdade é apenas uma mudança no mix de compras.
O ponto central é outro.
O consumo de Feijão continua acontecendo. O que mudou foi a forma de comprar e, principalmente, a forma como o varejo trabalha o produto.
Se o varejo não consegue margem, ele naturalmente reduz o esforço de venda. E esse é o risco mais importante neste momento. Não é a falta de consumo, mas a perda de interesse em empurrar o produto.
O mercado, portanto, entra em uma fase mais sensível. O volume ainda se sustenta, mas a sustentação de preço e a dinâmica de venda passam a depender muito mais da estratégia do varejo do que apenas da oferta disponível.
