Queda de Consumo: O que o Interior de SP ensina ao Rio de Janeiro sobre o Feijão

Por: IBRAFE,

6 de janeiro de 2026

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Antes de abordar o importante tema acima, observe que o volume de produto vendido ontem no Paraná foi bem acima do que poderia se esperar para o primeiro dia de trabalho do ano. Colhendo rápido Feijão-preto tem a maior parte sendo guardado e Carioca  sendo todo vendido. Agora vamos ao assunto do dia.       

 Recentemente, o setor tem sido bombardeado por uma narrativa alarmante: a de que o brasileiro "abandonou o Feijão". Dados nacionais de 2025 de fato acendem um alerta, com o consumo per capita nas capitais caindo para níveis abaixo de 12kg/ano. No Rio de Janeiro, o varejo registrou retração de volume próxima a 3,9%.

Mas, como defensor do nosso setor, convido você a olhar para onde a "comida de verdade" ainda dita o ritmo — e entender por que a qualidade é o divisor de águas entre o sucesso e o declínio.

O Caso Real: 10x acima do crescimento populacional

Analisamos os dados consolidados de 2025 de um grupo varejista no interior de São Paulo. Enquanto o crescimento populacional médio naquela região ficou em torno de 0,61%, as vendas de Feijão saltaram 6,47% em volume no ano.

O Feijão cresceu dez vezes mais que o número de habitantes. Isso prova que, onde há confiança, onde o consumidor é respeitado o consumo per capita sobe.

A Ferida Aberta: O "Falso Tipo 1" no Rio de Janeiro

Por que o interior de SP cresce e o Rio de Janeiro definha, mesmo com o Feijão-preto ficando 10,19% mais barato para o carioca? A resposta está na gôndola. 

O Rio de Janeiro enfrenta hoje o cenário mais grave do país em termos de classificação. É comum encontrarmos pacotes rotulados como Tipo 1 que, na verdade, entregam grãos com defeitos que ultrapassam os limites do Fora de Tipo. Essa "fraude técnica" destrói a categoria:Punir o consumidor: A dona de casa compra preço, mas leva trabalho dobrado para "catar" o grão e um cozimento desigual.

Expulsão do Prato Feito: Ao se sentir enganado pela má qualidade, o consumidor desiste do Feijão e migra para a conveniência dos ultraprocessados.

Desvalorização do Setor: O empacotador é coagido pelo varejo ganancioso a jogar o padrão no chão para ganhar no centavo está, na verdade, matando o mercado de todos nós. 

A Lição para o Produtor e o Empacotador

O sucesso no interior de SP (onde o padrão é mais respeitado) mostra que o consumidor não abandonou o Feijão por causa do preço, mas sim quando perde o vínculo de confiança. Onde a narrativa da "comida de verdade" é amparada por um grão que entrega o que promete no rótulo, o volume de vendas aumenta.

Conclusão

O mercado pune o piloto automático e a falta de ética na classificação. O Feijão é resiliente e é o herói da nossa soberania alimentar, mas ele precisa ser entregue com o respeito que o consumidor merece. No IBRAFE, nossa missão é clara: defender o Prato Feito exige, antes de tudo, defender a Qualidade.

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