Difícil saber quem está mais tranquilo agora: o produtor com estoque em câmara fria ou o empacotador que conseguiu comprar antes da última pegada nos preços e agora está administrando o repasse no varejo. A real é que os dois lados estão “calmos por fora” e atentos por dentro, porque ninguém tem dúvida de uma coisa: a reação apenas começou.
O mercado ainda tem muita água para passar debaixo da ponte até chegar à colheita da segunda safra. E o detalhe estratégico é que a segunda safra já começa a ser plantada agora, com chance real de, no último momento, muita gente deixar o milho de lado e optar por Feijão-preto e Feijão-carioca. Isso pode mudar o desenho lá na frente, mas não muda o fato do curto prazo: o jogo, hoje, é de oferta curta, qualidade mandando no preço e negociação diária com o varejo.
Em Minas Gerais, já apareceram relatos pontuais de negócios chegando a R$ 270/sc, em volumes limitados. Não é número para generalizar; é sinal para ler: o mercado está testando teto e, ao mesmo tempo, medindo quem tem fôlego.
Leitura prática:
- Para quem tem câmara fria: o ativo virou “moeda forte”, mas vender bem continua sendo vender com método, em tranches, olhando prazo, qualidade e fluxo de caixa.
- Para o empacotador: a compra “antes do estouro” não encerra o risco, apenas troca o risco de compra pelo risco de repasse e de mix no varejo.
- Para o setor: a decisão de área da segunda safra pode ser a virada de roteiro mais adiante, mas até lá o Prato Feito vai continuar sentindo o peso de qualquer ajuste mal feito entre campo e gôndola.
No fim, o recado é simples: preço firme é bom para o produtor, mas preço justo é o que mantém o brasileiro no Arroz com Feijão todo dia. E é isso que sustenta o mercado quando a euforia passa.
