Os primeiros 20 dias de janeiro estão confirmando uma correção firme nos dois principais pilares do nosso Prato Feito: Feijão-preto e Feijão-carioca. No Feijão-carioca, o movimento mais forte até aqui veio de Sorriso (MT), com valorização que já encosta em 15% em 30 dias.
Ontem, o mercado rodou R$ 220/sc ao longo do dia e, no fim da tarde, já havia comprador acenando R$ 225/sc. Isso não é fogo de palha: a demanda segue aparecendo diariamente, com perfil de quem quer garantir posição antes que falte matéria-prima.
E por que as vendas no campo aceleraram tanto? Três motivos, bem objetivos:
1. Consumo puxando de verdade: no interior de São Paulo, as vendas nesses 20 dias de janeiro ficaram 17% acima do mesmo período do ano passado. Quando o varejo gira, o empacotador não pode ficar descoberto.
2. Menos Feijão disponível em 2026: não é narrativa. Há menos volume, e isso muda o humor do comprador.
3. Clima como risco real: a previsão de chuvas acima do normal no Sudeste, especialmente em Minas Gerais, aumenta o risco de perdas em lavouras e atrapalhos na colheita e na logística. O resultado prático é simples: cresce a sensação de que é melhor assegurar produto o quanto antes.
No Feijão-preto, o recado é ainda mais direto: já é raro encontrar lote abaixo de R$ 180. Feijão-preto novo praticamente não aparece e, quando aparece, bate R$ 200. Não é especulação, é disponibilidade.
Tradução para quem vive disso: janeiro está se comportando como mês de pós-Carnaval. E quando o mercado antecipa o calendário, quem espera confirmação demais costuma comprar ou vender mais caro depois. Aqui no Clube Premier, a leitura é simples: demanda ativa, oferta curta e risco climático formam a combinação que mantém o comprador com pressa.
