Esse gráfico dos dados planilhados mostra, ao longo do tempo, a relação de preços ao produtor e ao consumidor. O ponto central é este: quando o preço do Feijão cai no atacado, uma parte importante dessa queda não chega ao consumidor. Ela fica no varejo, pelo menos na média.
É por isso que muita gente olha para a gôndola e tem a sensação de que o Feijão nunca baixa. E, em muitos momentos, é exatamente isso que acontece. O atacado recua, a pressão sobre a indústria diminui, o custo da matéria-prima cede, mas o supermercado demora para repassar. Quando sobe, reajusta rápido. Quando cai, segura. Na prática, captura para si uma parte relevante da diferença.
Esse comportamento ajuda a explicar por que o consumidor continua percebendo o Feijão como caro, mesmo em períodos em que a saca já perdeu valor no mercado de origem. O varejo promove uma ou outra marca, mas a média de preço na planilha e no gráfico deixa isso claro.
E isso pesa ainda mais agora, quando o IPCA-15 mostrou o Feijão-carioca com alta acumulada de 19,69% em 12 meses até março de 2026. Ou seja, a inflação enxerga um Feijão caro na ponta, e o consumidor confirma isso toda vez que passa pela gôndola.
Para o Clube Premier, a leitura estratégica é objetiva: não basta acompanhar apenas a saca. É preciso observar quem está ficando com a diferença quando ela acontece.
Hoje, em boa parte dos casos, o varejo reage depressa para proteger margem quando o atacado sobe, mas não tem a mesma pressa para devolver esse ganho ao consumidor quando o atacado cai. O resultado é um Feijão artificialmente mais caro na percepção da ponta, com risco direto sobre consumo, giro e imagem do produto.
