Viva Feijão avança: reunião define plano para recolocar ARROZ e Feijão no centro da alimentação nacional

Por: IBRAFE,

12 de fevereiro de 2026

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No Dia Mundial do Feijão, 10 de fevereiro de 2026, no Hotel Transamerica Executive, em São Paulo, o IBRAFE fez algo que não acontece todo dia: colocou na mesma mesa atores que normalmente conversam em salas separadas, quando conversam. A reunião marcou a largada oficial, em modo executivo, do Viva Feijão com um objetivo claro e sem firula: parar a queda do consumo e virar o jogo.

Para o IBRAFE, que completa 20 anos em 2026, foi mais do que um encontro. Foi um passo de escala. E, no fundo, um recado direto: se ninguém liderar, o ARROZ e o Feijão vão perdendo espaço no prato do brasileiro em silêncio, até virar “normal”.

O que ficou decidido (sem linguagem de seminário)

1) O setor reconheceu: é crise, não é detalhe

Os dados apresentados mostram uma curva de queda e um risco real de piora até 2030. Um ponto foi tratado como alerta vermelho: 2025 tende a ser o ano em que o consumo não regular de Feijão (menos de 5 dias por semana) vira maioria entre adultos.

E não é só sobre preferência. É consequência. A reunião reforçou o impacto de saúde pública: cerca de 57 mil mortes prematuras por ano associadas a alimentação desequilibrada, algo como 6 pessoas por hora. É duro, mas é real. E ignorar não resolve.

2) Ficou claro por que paramos de comer Feijão

Sem rodeios, o diagnóstico foi direto:

  • Estigma social: ARROZ e Feijão viraram, para muita gente, comida de quem não teve escolha, enquanto ultraprocessados e “proteínas da moda” ganharam status.
  • Praticidade: a vida urbana empurra para o rápido, mesmo quando o rápido cobra juros na saúde.
  • Desinformação: fake news nutricionais, modismos e a demonização de carboidratos atingem ARROZ e Feijão juntos.
  • Escola: rotatividade, falta de treinamento, infraestrutura desigual e a dificuldade de transformar oferta em hábito.
  • Insegurança do produtor: volatilidade do spot e ausência de mecanismos que deem previsibilidade semelhante a outras cadeias.

3) A estratégia aprovada tem dois trilhos, rodando em paralelo

Um dos pontos mais maduros do encontro foi esse: não dá para apostar em uma única solução.

Trilho 1: desejo, valor e praticidade para quem pode pagar mais
Feijões prontos de alta qualidade, linhas premium, variedades especiais, comunicação de sabor, conveniência e estilo de vida. A meta é simples: Feijão precisa voltar a ser desejo, não obrigação.

Trilho 2: escala via políticas públicas e instituições
O foco é fortalecer ARROZ e Feijão no PNAE, e aqui entrou um ponto crucial: não basta servir, é preciso ensinar a gostar. Se a criança come ARROZ e Feijão na escola sem vínculo afetivo e cultural, perde-se a chance de criar hábito. A agenda inclui também hospitais e programas de alimentação como base proteica acessível e eficiente. O Prato Feito entra como política de saúde, não como nostalgia.

4) Inovação deixou de ser “tema bonito” e virou eixo de execução

O encontro alinhou inovação como ferramenta prática para reposicionar o Feijão:

  • Biofortificação (mais ferro e zinco)
  • Novas aplicações (farinha, concentrado proteico em massas, produtos plant-based e outras categorias)
  • Tecnologia de campo e pós-colheita, mirando eficiência e qualidade industrial, inclusive tempo de prateleira

5) Foi criado o Comitê de Inteligência do Feijão

A decisão mais operacional do dia: nasce o Comitê de Inteligência do Feijão, com reuniões mensais, para unificar discurso e coordenar ações entre instituições. Menos powerpoint, mais rotina: pauta, metas, entregas e acompanhamento.

Isso importa porque mata o velho modelo do cada um por si. Sem governança, a ideia não vira movimento.

Quem esteve presente

A força do encontro foi exatamente a pluralidade. Estiveram presentes:

  • EMBRAPA
  • APROFIR
  • ABIARROZ
  • ABIFEIJAO
  • SECRETARIA DA AGRICULTURA DO ESTADO DE SÃO PAULO
  • USP
  • APAS – ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE SUPERMERCADOS
  • SVB – SOCIEDADE VEGETARIANA BRASILEIRA
  • IRGA – INSTITUTO RIOGRANDENSE DO ARROZ
  • MÁQUINAS COLOMBO
  • DAMHA AGRO
  • GFI – GOOD FOOD INSTITUTE
  • INSTITUTO KAIROS
  • COMISSÃO DE PRODUÇÃO ORGÂNICA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Por que isso foi um passo gigante

Porque o Brasil tratou Feijão como tema secundário por tempo demais. Sempre com aquela frase preguiçosa: alguém precisa fazer alguma coisa. Pois é. Agora tem gente fazendo.

Quando varejo, ciência, produtor e política pública caminham separados, o consumo cai e o setor vira refém de ciclos curtos, modismos e desinformação. O encontro marcou uma virada de postura: Feijão como causa de identidade e saúde pública, com plano e governança.

E ficou registrado um consenso que deveria ser óbvio, mas não tem sido tratado como tal: ARROZ e Feijão são inseparáveis. Se um cai, o outro cai junto. O destino das duas cadeias é combinado.

O plano de ação que sai da reunião

Além do comitê, a direção definida foi clara:

  • Marketing propositivo, mais sabor e energia, menos discurso que espanta
  • Influenciadores e microinfluenciadores, para derrubar mitos e mostrar preparo simples
  • Varejo e gôndola, com sinalização e caminhos de escolha que facilitem o consumo
  • Comida de verdade no delivery, com proposta de espaços dedicados em apps para destacar refeições alinhadas ao Prato Feito
  • Articulação institucional, incluindo discussão de fundo privado de marketing e medidas para garantir ARROZ e Feijão em instituições públicas
  • Selos, rastreabilidade e origem, para dar orgulho ao produtor e segurança ao consumidor

Viva Feijão, no ano em que o IBRAFE faz 20 anos

O IBRAFE chega aos 20 anos com algo raro: consistência. E com um detalhe que precisa ser dito sem vergonha: o IBRAFE é mantido por doações voluntárias dos membros do Clube Premier. É essa base que permite tocar iniciativas, articular instituições e, ao mesmo tempo, entregar informação estratégica para quem produz, compra, vende, empacota, exporta e investe no setor.

Produtores, agrônomos, corretores, comerciantes, empacotadores, exportadores e empresas de insumos estão entre os mais ativos mantenedores. E isso não é “apoio institucional”. É investimento em inteligência e em futuro.

O recado final é simples, mas sério: ou o Brasil defende comida de verdade com ARROZ e Feijão como base, ou vai pagar mais caro em saúde, em desinformação e em perda de identidade alimentar.

 

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