Cuiabá bate 500 e produtores aplaudem  

Por: IBRAFE,

10 de abril de 2026

Responsive image

Segundo o CEPEA, nesta quinta-feira, 9 de abril, o Feijão-carioca nota 9 ou superior no Noroeste de Minas ficou em R$ 330,00 por saca, com oscilação de -1,49%. Nos padrões 8 e 8,5, o Noroeste de Minas registrou R$ 291,09, recuo de 0,69%. No Paraná, o Feijão-preto seguiu pressionado, com baixa de 2,65%, e a Metade Sul do Paraná ficou em R$ 167,20, recuo de 0,24%.

 O mercado, portanto, continua mostrando estabilidade. Empacotadores presentes ontem em Cuiabá, no Summit Brazil Superfoods, disseram que os compradores que empacotam estão sondando cada dia mais perto do momento em que vão voltar ao mercado e isso, na opinião deles, poderá trazer uma onda de compradores durante o mês de abril.

 Agora, saindo do indicador e olhando o que realmente pode mexer com o tabuleiro adiante, o primeiro dia do Brazil Superfoods Summit 2026, em Cuiabá, mostrou que Feijão, gergelim e Pulses deixaram de ser assunto regional para virar conversa de mercado global.

O evento foi organizado justamente para conectar exportadores brasileiros, compradores internacionais e discussão estratégica sobre produção, sustentabilidade e acesso a mercados. A presença de missões estrangeiras e de lideranças do setor reforça que o Brasil entrou de vez no radar de quem compra alimento de verdade em escala.

 Foram 500 inscritos que compareceram ontem, no primeiro dia, e aplaudiram a organização e o uso de IA na tradução automática, direto no celular de cada um, inglês-português-inglês.

 No Feijão, o ponto mais estratégico que saiu do evento não foi o preço de hoje. Foi a área plantada de Mungo-preto que, ao que tudo indica, passará dos 400 mil hectares. Há desafios pela frente, como a previsão de clima seco no Centro-Oeste durante o desenvolvimento da cultura.

 Também notícias sobre a possível abertura de novos mercados, como a China para Feijão brasileiro, e avanços para Feijão-guandu na Índia mudam a conversa de médio prazo. Os delegados chineses mostraram o crescimento da importação de Mungo-verde ao longo dos últimos anos. Fomos informados de que o MAPA atendeu às últimas exigências da contraparte chinesa e, agora, vencida a parte técnica, esperam poder acessar o Feijão brasileiro.

 Ainda não é hora de tratar isso como negócio fechado. É hora de entender que o Brasil está acumulando portas entreabertas num momento em que o mundo procura origem confiável, escala, rastreabilidade e regularidade de oferta. Diversificação de Feijões e mercados fará muita diferença para o produtor do Brasil nos próximos anos. Quem olhar só o Feijão de agora perde a mudança de patamar de exportação que pode estar sendo desenhada.

 Permitam-me um comentário aqui sobre o gergelim: o sinal é claro. O Brasil avançou muito nas exportações e ganhou tração extra depois da abertura do mercado chinês, anunciada no fim de 2024 e operacionalizada com novas habilitações em 2025.

 Mas a safra 2026/27 já aparece como mais desafiadora. O próprio mercado vem trabalhando com expectativa de redução relevante de área, em alguns levantamentos, entre 30% e 45%, diante de preços menos estimulantes e maior disputa com outras culturas. Traduzindo: o Brasil continua importante, mas não vai crescer a qualquer custo nem em qualquer margem.

 A queda de preço no mercado internacional levou os produtores a optar, este ano, por outras culturas, o que colocou definitivamente um limite aos preços dos importadores no mundo.

 E, para fechar, o pré-lançamento do Clube Premier do Gergelim é mais importante do que parece à primeira vista. Informação consolidada, leitura de mercado e inteligência organizada tendem a se tornar ativos tão valiosos quanto armazenagem, frete ou classificação.

 Acompanhe o que está programado para hoje no site do evento: https://superfoodssummit.com.br/programacao-summit-2026-2/ e, em breve, os cortes mais importantes no YouTube do Ibrafe.

 

 

Mais
Boletins

Cuiabá bate 500 e produtores aplaudem  
10/04/2026

  Prateleiras vazias e plenário cheio                                                                                          
09/04/2026

Feijão-preto pode não ser o que parece
08/04/2026

  A chuva chegou no Paraná, mas pode ser tarde demais
07/04/2026

Março segue a lógica e aponta valorização
06/04/2026