Cuidado com o vendedor do susto da bolsa

Por: IBRAFE,

28 de maio de 2026

Responsive image

Este é um daqueles momentos em que o produtor e o comerciante do interior do Brasil precisam respirar antes de aceitar qualquer conversa pronta.

É bem provável que, neste fim de semana, apareça gente tentando usar relatório de São Paulo, conversa de pregão, queda pontual ou alguma suposta referência de um bolsa que não existe, para convencer o produtor a vender Feijão mais barato. Vamos começar pelo básico: no mercado físico de Feijão, quem usa esse tipo de argumento para derrubar preço, ou não entende o mercado, ou está tentando confundir quem tem mercadoria na mão.

A pergunta simples é: por que vender mais barato agora se não há entrada de colheita em volume suficiente para mudar o quadro?   O pior que poderá acontecer é que os preços fiquem estáveis até a nova colheita.                                                                    Por outro lado, se você é empacotador ou comerciante, é hora de aproveitar o menor volume de negócio e sim testar o produtor, mas por favor, sem balela de que no Brás tem bolsa e pregão, isso é atestado de má-fé para alguém que quer comprar. 

O mercado cansa. Isso acontece. Depois de uma alta forte, compradores recuam, vão cuidar de atender seus compradores, enquanto isto  testam, esperam, e testam de novo. Mas cansaço de mercado não é sobra de mercadoria. Hoje, a realidade segue sendo falta de Feijão-carioca nota 8,5 acima, principalmente aquele peneira 12 que as principais marcas precisam para recompor embalagens e atender o varejo.

O que tem aparecido de Feijão comercial segue em patamares elevados, entre R$ 430, R$ 440 e R$ 450 por saca, dependendo da qualidade, origem e urgência de quem compra. E houve uma venda bastante simbólica: um Feijão de câmara fria, em São Paulo, que em setembro havia recebido oferta de R$ 207, foi vendido ontem a R$ 475.

 Uma venda não cria mercado sozinha, mas evidencia a magnitude da diferença entre susto, narrativa e realidade. Também este produtor afirmou que sim o fato de estar aqui no Clube Premier propiciou que ele tivesse a correta leitura de mercado e pudesse aguardar o melhor momento para vender.  

Lembre-se de que somente o Feijão-carioca do Vale do Araguaia no final de junho poderá trazer alguma alteração. Quando ele começar a sair, duas coisas podem acontecer. A primeira é estabilizar os preços. A segunda, que ninguém pode descartar, é o preço subir ainda naquele momento, justamente porque o volume inicial tende a pingar, e não a inundar o mercado.

As principais marcas estão sedentas por Feijão extra, limpo, claro e uniforme. Quando esse produto aparecer, haverá disputa. Isso deve começar no fim de junho e seguir durante julho. A baixa virá em algum momento depois, como sempre acontece quando o volume cresce. Pode ser julho, agosto ou setembro. Mas até lá ainda existe todo o mês de junho pela frente.

E para um mercado que consome algo próximo de 160 a 170 mil toneladas de Feijão-carioca por mês, algo como 2,8 milhões de sacas, a pergunta continua sendo a mesma: por que vender mais barato hoje, se ainda há tempo e fundamento para vender melhor mais adiante?

Neste momento, a pior decisão é aceitar narrativa de quem precisa comprar barato. Informação séria não grita. Ela compara oferta, qualidade, consumo, origem e tempo. Quem tem Feijão bom na mão não precisa vender no susto. Precisa vender com estratégia.

Mais
Boletins

Cuidado com o vendedor do susto da bolsa
28/05/2026

VIVA O Feijão NO CONAFE  
27/05/2026

Mercado abre a semana estável
26/05/2026

Feijão-preto: diminuindo a exportação e aumentado a importação
25/05/2026

Geada foi o tiro de misericórdia
22/05/2026