O Feijão-preto começa a ganhar uma leitura diferente para 2026. Ontem, houve maior volume de negócios de Feijão-preto. De janeiro a abril, o Brasil já exportou mais de 200 mil sacas de Feijão-preto, algo próximo de 13 mil toneladas.
Isso é sintomático. O Brasil não exportava Feijão-preto, importava da Argentina. Agora, pelo terceiro ano seguido, está presente no mercado mundial. Não é um volume capaz de virar o mercado sozinho, mas, somado à geada, à menor área plantada e à valorização do Feijão-carioca, há fortes motivos para o Feijão-preto seguir valorizando acima do que ontem se comentou, entre R$ 210 e R$ 220 no Paraná.
Como estou aqui na convenção mundial da Global Pulse Confederation, conversei com gente de muitos países consumidores, produtores e importadores, principalmente de Feijão-preto. O ponto mais estratégico agora está na oferta futura do Hemisfério Norte.
Nos Estados Unidos, a intenção de plantio de Feijão seco para 2026 é de 1,24 milhão de hectare, queda de 10% em relação ao ano anterior. Isso confirma que o produtor americano também está fazendo conta e comparando o Feijão com culturas de maior escala, como milho e soja.
O plantio atual reforça o alerta. O relatório mais recente do USDA, de 11 de maio de 2026, mostra que apenas 1% do Feijão seco havia sido plantado em North Dakota, um dos estados mais relevantes para a produção americana. Em Montana, o avanço estava em 10%. Nesta mesma semana do ano passado, o plantio já estava em ritmo mais confortável, favorecido por um maio mais seco e quente.
Aqui há um detalhe importante: milho e soja estão ocupando a cabeça, a janela e a máquina do produtor americano. Quando essas culturas atrasam ou exigem prioridade operacional, o Feijão fica em segundo plano. E, em uma cultura de janela curta, atraso no plantio raramente é detalhe. Pode significar menor produtividade, maior risco climático e menor disposição do produtor em ampliar área.
Para o Feijão-preto brasileiro, a conta é simples: se os Estados Unidos reduzem área, começam o plantio devagar em regiões importantes e o Brasil já consegue exportar parte relevante do volume entre janeiro e abril, o preço interno deixa de ser uma conversa isolada entre produtor, cerealista e empacotador. Ele passa a depender também da necessidade internacional.
Conclusão para o Premier: Feijão-preto abaixo de patamares compatíveis com reposição e risco internacional precisa ser olhado com mais cuidado. Não é hora de euforia cega, mas também não é hora de tratar Feijão-preto como produto sobrando sem destino. O mercado está dizendo que a próxima oferta pode ser menos confortável do que parecia.
