Há perdas nas lavouras da região Sul. Qual o volume perdido, somente os próximos dias permitirão quantificar e precificar. E, enquanto o inverno chega ao Brasil, estou na convenção mundial do GPC (Global Pulse Confederation).
O desafio aqui é grande. Falar no plenário do GPC, diante dos principais líderes globais do setor de pulses, não é apenas uma oportunidade pessoal ou institucional. É uma responsabilidade enorme. Talvez uma das maiores que o setor brasileiro de Feijão já tenha tido em um ambiente internacional dessa dimensão.
O desafio aqui não é apenas apresentar números. Não é apenas mostrar exportações recordes, novas cultivares ou crescimento da presença brasileira. O verdadeiro desafio é posicionar o Brasil como parte da solução global para estabilidade, segurança alimentar e coordenação de mercado.
O mundo começa a perceber algo que o IBRAFE vem defendendo há muitos anos: não basta produzir mais. É preciso coordenar melhor.
Não faz sentido produtores quebrarem em um ano e compradores pagarem preços recordes no seguinte. Não faz sentido ainda tratarmos pulses apenas como commodities comuns quando estamos falando de alimentos estratégicos, proteínas vegetais, saúde pública e estabilidade social.
O Brasil chega neste debate em outro patamar comparado ao passado. Hoje temos mais de 20 cultivares exportáveis desenvolvidas ao longo de décadas por instituições como EMBRAPA e IAC. Temos exportadores estruturados. Temos rastreabilidade avançando. Agricultura tropical regenerativa ganhando força. Produtos com até 30% de proteína. Feijão instantâneo. Proteína concentrada. E um movimento crescente para transformar comida de verdade em pauta estratégica.
Mas talvez o ponto mais importante seja outro: o mundo inteiro está enfrentando o desafio de aumentar consumo entre as novas gerações. E isso exige inteligência, coordenação e visão de longo prazo.
Por isso, levar ao plenário do GPC a ideia do Viva Feijão não é apenas levar um slogan brasileiro. É levar uma mensagem otimista de união do setor global de pulses.
Porque no fim do dia, produtores, compradores, exportadores, pesquisadores e consumidores dependem da mesma coisa: mercados mais estáveis, consumo forte e alimentos de verdade ocupando espaço nas próximas décadas.
O peso desta responsabilidade é enorme.
Mas talvez seja exatamente o momento em que o Brasil precisa deixar de ser apenas fornecedor e começar a ser também articulador global deste setor.