O mercado de Feijão-carioca registrou ontem mais compradores do que vendedores. Houve produtor que resistiu à oferta de R$ 370 no noroeste de Minas. É difícil avaliar se alguém que colhe hoje um pivô encontrará, daqui a 10 ou 15 dias, esses mesmos preços ou se a realidade caminhará mais rapidamente para valores abaixo de R$ 300.
No Paraná, não há oferta de Feijão-carioca de melhor qualidade, e os comerciais têm como referência preços entre R$ 230 e R$ 290 no sudoeste.
Para o Feijão-preto, seguimos observando o mercado mundial, que vem, assim como no Brasil, de um período de oferta acima do consumo. Abaixo, trazemos um pouco da situação do México.
Relatório Executivo: Mercado de Feijão no México (Ciclo 2025-2026)
Exclusivo: Clube Premier
Principais Pontos de Atenção
• Distorção Estatal: O governo fixou um preço artificial de 27.000 pesos/TM (US$ 1.569/TM) para apenas 25% da colheita. Para desovar o excedente, despejou o produto no mercado interno por 9.000 a 10.000 pesos/TM (US$ 523 a US$ 581/TM), gerando forte incerteza e travando a recuperação dos preços.
• Estoques Altos e Preços Estáveis: Há abundância de oferta devido às safras recentes e às importações elevadas de Feijão-Pinto e Feijão-Preto. O abastecimento está garantido até novembro de 2026, o que anula qualquer chance de alta de preços no curto prazo.
• Crise no Campo: Projeta-se uma redução de 20% a 30% na área de plantio devido ao corte total do crédito agrícola e à falta de liquidez dos produtores. O Feijão-Pinto consolidou-se como a referência de preço do país, nivelando as demais variedades por baixo.
• Ajuste Regional: EUA e Canadá também vão reduzir a área plantada. Essa contração conjunta na América do Norte ajudará a enxugar os estoques e estabilizar os preços no médio prazo, interrompendo as quedas do último ano.
• Importações de Feijão-Preto: Sem espaço para compras volumosas. A demanda mexicana será estritamente estratégica e pontual para cobrir lacunas específicas, dependendo diretamente da atratividade do câmbio (Peso/Dólar).
Conclusão: O mercado mexicano está sobrecarregado e com preços defasados. O retorno do México às compras expressivas de Feijão-Preto está descartado no curto prazo. O foco do bloco norte-americano será reduzir a área plantada para estabilizar as cotações.
