Boletim 08 de abril de 2026
O mercado passa uma sensação de fraqueza, mas, no Feijão-preto, essa leitura pode estar enganando muita gente. Tudo indica que o que havia da primeira safra deste ano já terminou faz tempo. O que está sendo negociado agora é, em mais de 90% dos casos, Feijão do início do ano passado. Isso muda bastante a interpretação da baixa atual.
Quando veio a percepção da pequena safra das águas do Paraná em janeiro e fevereiro, toda a cadeia tomou posição acima do que conseguiria absorver rapidamente. Comerciante, corretor, empacotador, atacadista e até supermercadista compraram mais do que precisavam para um período curto, algo em torno de 60 dias.
Então, uma parte importante da pressão de baixa neste momento pode não ser falta de consumo, mas sim o mercado tentando digerir esse excesso de mercadoria comprada antes.
Esse é o tipo de situação que o indicador de preço, sozinho, do CEPEA não consegue mostrar. Fica fácil olhar apenas a referência e concluir que o varejo travou. Não travou. O varejo segue vendendo Feijão dentro de um fluxo normal. O problema está muito mais no peso dos estoques ao longo da cadeia do que numa parada real do consumo.
A questão agora é simples e decisiva: quando esse estoque mais antigo terminar, o mercado vai testar a realidade. E essa realidade pode ser outra, porque as lavouras de Feijão-preto no Sul do Paraná apontam para uma quebra muito forte. Se essa leitura se confirmar, a baixa atual pode ser apenas uma fase de digestão de posição excessiva, não um sinal de sobra confortável de produto.
