Pouquíssimos negócios foram reportados ontem no Brasil. No Paraná, as indicações apontam recuo nas indicações de compradores de R$ 30 por saca no Feijão-carioca, mas existe um detalhe importante: praticamente não há oferta de Feijão nota 8,5 para melhor. O mercado está discutindo preço olhando uma mercadoria que, em muitos casos, não representa o padrão que realmente atrai os maiores compradores.
Os números do CEPEA ajudam a entender a fotografia, mas no Feijão-carioca ainda não refletem a situação do momento. Na Metade Sul do Paraná, o Feijão-carioca nota 8 e 8,5 aparece em R$ 410,42/sc, alta diária de 0,96%. Já o Feijão-preto tipo 1 está em R$ 235,11/sc, avançando 2,99% no dia. 
Mas a leitura fria do indicador não mostra o drama da pós-colheita. Há secadores levando até 15 horas para processar cargas chegando com mais de 30% de umidade. Depois vem a mesa de gravidade e, em muitos casos, as perdas alcançam 40% a 50%. Uma carga entra cheia e sai muito menor.
É aí que surge uma distorção perigosa. O produtor recebe descontos sucessivos e, no final da conta, vê um valor desanimador. Do outro lado, o consumidor olha o produto na gôndola, percebe um Feijão de aparência mais fraca e conclui que está caro.
O curioso é que essa combinação acaba achatando a percepção do mercado justamente quando praticamente não existe Feijão 8,5 para melhor disponível. Quantidade existe. Oferta real de qualidade é outra conversa.
