O game começou: Feijão, toda atenção e cuidado são poucos

Por: IBRAFE,

18 de maio de 2026

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O mercado mudou de fase. Agora, Feijão volta a ser assunto para profissionais, não para quem olha apenas o preço da semana e sai plantando como se o mercado fosse uma linha reta. Certamente estamos a algumas horas de sentir uma diminuição no ímpeto dos compradores. 

 Ainda veremos referencias de preços subindo, mas faz parte no processo aquela tradicional parada a excessão vai ser se não acontecer.  Na sexta-feira, foi pago no Paraná R$ 400 por Sabiá; em Minas, pivô para bater no final de semana, vendido por R$ 457 e pouco mais de R$ 464. Feijão-preto até R$ 240 no interior de Minas Gerais.

 Em períodos de preços baixos, a leitura precisa ser muito mais ampla. O Brasil não é refém de um único tipo de Feijão. Temos capacidade técnica, genética, climática e comercial para produzir mais de 20 cultivares, atendendo compradores diferentes aqui dentro e também lá fora. Esse é o ponto central.

 O risco, agora, é a reação exagerada. Quando o produtor vê o Feijão-carioca reagindo, é natural querer aumentar área. Mas plantar muito mais do que seria razoável, sem olhar demanda, qualidade, janela de colheita, tipo comercial, possibilidade de escoamento e clima, pode transformar uma boa oportunidade em novo ciclo de pressão de preços.

 Enquanto parte do mercado olha apenas para o Feijão-carioca, outros Feijões seguem abrindo espaço. Feijão-preto, Feijão-caupi, mungos, rajados, vermelhos e outros tipos podem ter destinos diferentes, compradores diferentes e momentos diferentes. Esse é o jogo: não é só produzir Feijão. É produzir o Feijão certo, na hora certa, para o comprador certo. Não ir no efeito manada.

 Daqui em diante, será fundamental acompanhar quatro pontos: o tamanho real do aumento de área, a escolha das cultivares, a velocidade com que o mercado interno e externo absorverá essa produção e, principalmente, o comportamento do clima nas regiões-chave.

 O Feijão continua sendo uma das culturas mais inteligentes do agro brasileiro. Mas inteligência, neste momento, não é plantar no impulso. É planejar antes que a porteira abra demais.

 Compilei a expectativa sobre o El Niño e a última posição do Dr. Luiz Carlos Molion, expressa em suas análises mais recentes (maio de 2026), é de ceticismo moderado em relação às previsões alarmistas de um "Super El Niño".

Embora grandes centros internacionais (como a NOAA e o IRI) apontem probabilidades superiores a 80% para o desenvolvimento do fenômeno em 2026, Molion destaca pontos cruciais que costumam ser ignorados pela mídia convencional:

1. Crítica ao "Alarmismo" do Super El Niño

Molion argumenta que a probabilidade divulgada (como os 93% citados pela NOAA em abril/maio de 2026) é uma soma de probabilidades. Ele ressalta que, desse total, a chance real de um "Super El Niño" (evento muito forte) é de apenas cerca de 23%. O restante da probabilidade se divide entre eventos de intensidade fraca ou moderada.

2. Falta de Acoplamento Atmosférico

Para Molion, não basta a água do mar estar quente; a atmosfera precisa "responder" a esse calor. Ele aponta que o Índice de Oscilação Sul (IOS) tem se mantido positivo ou neutro em diversos momentos, o que indica que a atmosfera ainda não se acoplou ao oceano. Sem esse acoplamento, os efeitos típicos de seca ou chuva excessiva não se confirmam da forma clássica.

3. Fatores Geológicos (Terremoto de Kamchatka)

Uma tese recente defendida por ele em 2026 é o impacto do terremoto na Península de Kamchatka (julho de 2025). Molion sugere que esse evento geológico gerou ondas internas no oceano que redistribuíram o calor no Pacífico Norte, empurrando águas aquecidas para a América do Sul de forma independente da dinâmica tradicional do El Niño, o que confunde os modelos matemáticos.

4. Tendência de Neutralidade e Inverno Rigoroso

Diferente dos modelos que preveem calor extremo contínuo, Molion tem alertado para:

        Neutralidade Climática: Em muitas regiões do Brasil, o clima deve se comportar de forma próxima à média, com chuvas comandadas mais por frentes frias do que pelo El Niño.

        Risco de Geadas: Ele mantém o alerta para a possibilidade de invernos rigorosos (semelhantes aos da década de 70), devido ao baixo ciclo de atividade solar, o que representa um "sinal amarelo" para o agronegócio, independentemente do que ocorra no Pacífico.

Resumo: Para o Dr. Molion, os modelos de previsão atuais são limitados e "viciados" em prever aquecimento. Ele aconselha o produtor rural a não entrar em pânico com as manchetes de "Super El Niño" e a monitorar as condições locais e o IOS antes de tomar decisões drásticas.                                                                               

            Em todo caso amanhã comento aqui o que pode acontecer se realmente tivermos um El Niño típico ou mais forte.

 

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