Qual a reação da alta nas gôndolas? Hora de conferir

Por: IBRAFE,

25 de junho de 2026

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Dia de jogo costuma apertar a agenda de todo mundo. Muita gente corre para dar conta do trabalho mais cedo e, nas fontes, não foi diferente com os compradores. Mesmo assim, o mercado seguiu ativo, com valores oscilando dentro dos parâmetros que vimos ao longo desta semana.

O ponto de maior atenção continua sendo a oferta. No lote de Feijão Marhe em rama, no Vale do Araguaia, relatado ontem, confirmamos a quantidade de cerca de 22 mil sacas, que foi vendida por R$ 380. É um lote grande e que começa a ser colhido amanhã. Naturalmente, todos vão acompanhar de perto a qualidade, o rendimento e a velocidade com que esse produto chegará ao mercado.

Mas é importante não perder a visão do quadro maior. Se ainda havia alguma dúvida sobre a quebra da safra na região Sul, especialmente no Paraná, superior a 40%, ela começa a aparecer agora com mais clareza. E deve aparecer ainda mais nos próximos dias. O mercado não sente a quebra no discurso. Sente quando vai comprar e não encontra volume suficiente na qualidade desejada.

Do outro lado, o consumidor também já começou a sentir. A planilha de uma rede do interior de São Paulo, com 15 lojas, mostra queda de 8,01% no volume vendido de Feijão, enquanto o faturamento da categoria cresceu 45,30%. Ou seja, vendeu menos e faturou mais. Esse é o efeito direto do preço chegando à gôndola.

O dado mais sensível está no Feijão-carioca de 1 kg, que segue sendo o principal item da categoria. Ele representa mais de 80% do volume vendido, mas caiu 13,78% em quantidade. Ao mesmo tempo, o faturamento subiu 46,37%. O consumidor não abandonou o Feijão, mas está comprando de forma mais seletiva.

A margem geral da categoria também subiu, de 6,50% para 7,18%. No Feijão-carioca de 1 kg, a margem passou de 2,25% para 5,58%. Já no Feijão-preto de 1 kg, aconteceu o contrário: o volume vendido cresceu 13,42%, mas a margem caiu de 33,25% para 13,75%. Isso sugere que o Feijão-preto pode estar funcionando como alternativa de preço ou item de giro, enquanto o Feijão-carioca segue carregando a pressão principal da categoria.

A leitura é simples: o preço sobe até equilibrar oferta e demanda. A diferença é que esse equilíbrio não acontece em planilha. Ele acontece no campo, na indústria, no supermercado e, por fim, no carrinho do consumidor.

Neste momento, o produtor com Feijão de boa qualidade ainda tem relevância na formação de preço. O comprador segue procurando produto. O varejo começa a medir até onde o consumidor aguenta. E o mercado entra em uma fase em que cada lote colhido, cada negócio fechado e cada reação na gôndola passam a pesar mais do que qualquer palpite.

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